UNIVERSIDADE

Emancipada, UFR nasce em meio a corte de 40% do Governo Federal

Em 2017, MEC contingenciou de 15% do orçamento para o custeio das universidades, e 40% da verba para obras

por Robson Morais

21 de Março de 2018, 16h00

Emancipada, UFR nasce em meio a corte de 40% do Governo Federal
Emancipada, UFR nasce em meio a corte de 40% do Governo Federal

Emancipada após duas décadas de luta, a Universidade Federal de Rondonópolis, sancionada ontem pelo presidente da República Michel Temer -MDB nasce em meio a grave crise na educação pública do Brasil. Em 2017, o Ministério da Educação -MEC fez corte em investimentos. R$ 3,6 bilhões de despesas diretas, além de R$ 700 milhões em emendas parlamentares para a área da educação. Levando em conta o total previsto, a pasta realizou um contingenciamento de 15% do orçamento para o custeio das universidades, e 40% da verba para obras.

A sanção presidencial para a definitiva emancipação do campus local da Universidade Federal de Mato Grosso foi anunciada ontem, 20. A pauta tramitou com mais celeridade no Congresso já na reta final do último ano. Além da UFR, deverão ser criadas as universidades Federal do Delta do Parnaíba -UFDPar e Federal do Agreste de Pernambuco -Ufape.

Em Estados como Rio de Janeiro e Distrito Federal e Sergipe, porém, a grave crise foi sentida. No total, pelo menos 11 universidades apontaram mudanças na rotina orçamentária devido ao contingenciamento, segundo levantamento feito em 2017 pelo site de notícias G1.

Vereador Silvio Negri -PCdoB  Foto:AssessoriaPreocupação

Professor universitário, o vereador por Rondonópolis, Silvio Negri - PCdoB, reconhece a preocupação por parte da nova Universidade com as medidas de corte do Governo Federal. "Comemoramos a emancipação, mas por outro lado precisamos ficar preocupados com esta política governamental implantada no país, que corta de gastos e visa a privatização do ensino público superior no Brasil", analisa.

A partir da emancipação, a UFR passará a receber recursos diretamente do Governo Federal. Antes, o dinheiro era repassado ao campus de Cuiabá e posteriormente repartido entre os demais campus do Estado. "Evidentemente, nossa preocupação existe, mas seria pior se continuássemos ligados ao campus de Cuiabá. Nunca tivemos controle sobre o orçamento ao qual tínhamos direito, sempre dependemos da capital. Agora passaremos a ter autonomia, orçamento próprio e capacidade de administrar e investir nos projetos de extensão, ampliação dos cursos. Por tudo isso o momento, ainda assim, é otimista", diz Negri.

Protesto

No primeiro dia do ano letivo de 2018, estudantes mobilizados fizeram um manifesto contra o aumento no valor cobrado dos alunos pelo restaurante universitário, o RU. A refeição passou de R$1 para R$10. A medida, prevista para vigorar já em março, é outro reflexo dos cortes do Governo.

Isso porque R$9 do valor total de cada refeição era custeado pela universidade, sendo o R$1 restante pago pelo aluno à empresa fornecedora. Com o corte do MEC, a instituição não consegue se responsabilizar pelos custos. Bolsas e auxílios oferecidos aos estudantes, como moradia e alimentação, também correm risco. "O Enem, através do Sisu,  democratizou o ensino público no brasil. Muitos alunos daqui são de outras regiões, e muitos são carentes de bolsas e auxílios. São benefícios que não pagam muito, mas ajudam manter o estudante. O medo é de uma grande evasão dos alunos de seus cursos por falta de condições para permanecerem estudando", finaliza Negri. 

Campus foi alvo de manifestação. Foto: GazetaMT