LAÇO OCULTO

Servidora de MT perde R$ 1,1 milhão após anos de chantagem psicológica de colega de trabalho

O esquema só foi interrompido quando o marido da vítima notou alterações em seu comportamento, descobriu as transferências e acionou as autoridades

por Emerson Dourado

21 de Julho de 2026, 09h49

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Divulgação

Uma operação da Polícia Civil de Mato Grosso, deflagrada nesta terça-feira (21), mirou um esquema de extorsão envolvendo servidores da Secretaria de Estado de Saúde (SES) e um policial militar. A Operação Laço Oculto cumpriu 14 mandados judiciais em Cuiabá e Várzea Grande, que incluem buscas, sequestro de bens e o bloqueio de até R$ 3,3 milhões em ativos financeiros dos investigados. As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias da capital, com parecer favorável do Ministério Público.

As investigações revelaram que uma servidora pública estadual transferiu R$ 1.132.680 para a principal suspeita, que era sua colega de trabalho, entre os anos de 2022 e 2025. A vítima sofreu contínua pressão psicológica após ser convencida de que ambas corriam risco de vida por causa de uma falsa dívida com agiotas, supostamente vinculada a outro servidor. Sob o pretexto de intermediar a negociação com os criminosos e proteger a colega, a investigada exigia pagamentos frequentes.

Para bancar as extorsões, a servidora recorreu a empréstimos, usou o limite do cartão de crédito, resgatou valores da previdência privada e gastou economias destinadas aos filhos e à construção da própria casa. Ela também foi induzida a financiar uma caminhonete em seu nome para o uso de um aliado da suspeita. O esquema só foi interrompido quando o marido da vítima notou alterações em seu comportamento, descobriu as transferências e acionou as autoridades.

A quebra de sigilo bancário e a perícia financeira confirmaram os repasses diretos e apontaram que o dinheiro extorquido era redistribuído para terceiros. A Polícia Civil identificou movimentações financeiras incompatíveis com a renda dos suspeitos, saques de alto valor e o uso de "laranjas" para ocultar o patrimônio ilícito. Tanto a SES quanto a Corregedoria da Polícia Militar informaram que acompanham o caso e colaboram com o inquérito, que segue em andamento para apurar os crimes de extorsão, agiotagem e lavagem de dinheiro.