legislativo
Irritado por não conseguir antecipar eleição, Mauro Campos ameaça renunciar à Mesa da Câmara
'Se o senhor tem a prerrogativa de suspender a Sessão mesmo não estando nessa Casa, eu entrego a vice-presidência', disparou
21 de Agosto de 2014, 10h12
A suspensão da Sessão Ordinária da Câmara do último dia 13 continua repercutindo entre os vereadores. O fato gerou duras críticas do vereador mauro Campos (PT), atual vice-presidente da Mesa Diretora da Câmara, que fez um duro discurso contra a atitude do presidente Ibrahim Zaher (PSD), que ordenou a suspensão da Sessão mesmo não estando no Legislativo e com os trabalhos parlamentares já iniciados.
Na ocasião, data da morte do presidenciável Eduardo Campos (PSB), a Sessão, que já tinha sido aberta, foi suspensa por um decreto assinado pro Ibrahim, que sequer foi ao prédio do Legislativo. "Fui desmerecido. A partir do momento em que o senhor (Ibrahim) não estiver nessa Casa, eu respondo pela presidência. Se o senhor tem a prerrogativa de suspender a Sessão mesmo não estando nessa Casa, eu entrego a vice-presidência. Se eu não tiver o poder de exercer minha função aqui como vice-presidente, então o que estou fazendo aqui?", questionou Mauro Campos.
Na sequencia, Campos ainda acusou o presidente da Câmara de estar quebrando com a 'harmonia' que o levou ao cargo. "Foi uma harmonia que me trouxe para a Mesa Diretora, mas não vou ficar aqui como fantoche, não sou apegado à vice e o fato de sentar na cadeira de Vossa Excelência para mim não faz diferença, não sou apegado ao poder pelo poder. Quero ser vice com autonomia e poder de decisão", emendou.
Campos ainda continuou, criticando a atitude de funcionários que ocupam cargos de confiança e que, por ordem de Ibrahim, chegaram a cortar os microfones do Plenário, para impedir que a Sessão prosseguisse e dos procuradores jurídicos da Câmara, que colocaram dificuldades para darem um parecer sobre a legitimidade de continuar com a dita Sessão mesmo com o decreto do presidente suspendendo os trabalhos legislativos do dia.
"De hoje em diante, eu sou defensor de concurso para jurídico, pois entendo que os nossos advogados tem que dar pareceres para todos os vereadores e não só para aqueles que os indicaram. Não me leve a mal, tenho muito carinho e respeito pela sua liderança, mas não podia deixar de falar do meu descontentamento com servidores e com funcionários indicados por vereadores que acham que são melhores que os vereadores. Se quer ser melhor que vereador, vai para as urnas disputar eleição", concluiu.
O motivo da 'revolta' do vereador é o projeto de Resolução 04/2014, que altera o Regimento Interno da Câmara para antecipar a eleição da Mesa Diretora para o biênio 2015/2016, que esteve na pauta de votação mas não pôde ser votado pelos edis por conta da suspensão da Sessão. O projeto voltou automaticamente à pauta da última quarta, 20, mas não houve tempo para votá-lo antes do encerramento da Sessão e ele deve voltar na pauta da próxima semana.
Pelo atual Regimento da Câmara, a eleição da Mesa Diretora só deveria acontecer no próximo dia 20 de dezembro, mas por conta do grupo liderado pelo vereador Lourisvaldo Manoel de Oliveira, o Fulô (PMDB), ter conseguido o apoio da maioria dos 21 vereadores, o grupo decidiu alterar o Regimento e antecipar a eleição.