POLÍTICA
PSDB decide nesta quarta-feira se abre processo para expulsar Aécio Neves
21 de Agosto de 2019, 07h00
O PSDB decidirá nesta quarta-feira (21) durante reunião da Executiva Nacional se abrirá processo que poderá levar à expulsão do deputado Aécio Neves (PSDB-MG). O encontro está marcado para as 14h30, na sede do partido em Brasília.
Aécio é réu por corrupção e obstrução de justiça e sofre pressão para se afastar do partido. O processo ao qual ele responde corre na Justiça Federal em São Paulo.
A denúncia, apresentada pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, foi recebida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em abril de 2018 e o parlamentar se tornou réu. Como Aécio deixou de ser senador, o processo foi enviado para a primeira instância, porque apura fatos que não têm conexão com o atual mandato de deputado federal.
A acusação foi feita a partir de delações de Joesley Batista, do Grupo J&F, que afirmou ter pago propina no valor de R$ 2 milhões ao deputado.
Também são acusados de corrupção passiva a irmã do senador, Andréa Neves, um primo dele e um assessor parlamentar do congressista. Em troca, ele teria prestado favores políticos a Joesley. Aécio nega as acusações. O advogado do tucano, Alberto Zacharias Toron, sustenta que o deputado é vítima de ação criminosa de Joesley Batista.
“A meu ver, o deputado Aécio Neves tem todo o direito a formular a sua defesa na plenitude, confiante na sua inocência, e confiante também na Justiça, mas pode fazê-lo fora do PSDB", afirmou nesta terça (20) o governador de São Paulo, João Doria.
O governador foi à Câmara dos Deputados nesta quarta para apresentar o deputado Alexandre Frota, recém filiado ao PSDB, à bancada do partido na Casa. O presidente da sigla, Bruno Araújo, também estava presente.
Segundo Araújo, há representações do estado e do município de São Paulo e uma menção do Rio Grande do Sul que pedem a expulsão de Aécio do PSDB.
Nesta quarta, o partido decidirá se dá sequência aos pedidos. Se decidir abrir o processo, o caso será encaminhado ao conselho de ética do partido.
“O fato é que do ponto de vista objetivo nós temos uma representação que se inicia amanhã e o partido, na sua instância, com a sua Executiva, apurando os votos e ouvindo o relatório a ser apresentado pelo deputado Celso Sabino, toma a primeira decisão a partir de amanhã”, afirmou Araújo.
“Cabe a mim, enquanto presidente do partido, presidir um processo com absoluta imparcialidade”, declarou o presidente da sigla.
O presidente estadual do PSDB em São Paulo, Marco Vinholi, secretário de Desenvolvimento Regional do governo Doria, disse que recebeu representações de vários diretórios de cidades do estado.
“Várias manifestações de filiados. Ontem na Executiva surgiu espontaneamente e, por unanimidade, a Executiva Estadual definiu a representação baseada no caso Joesley, que foi o caso que gerou o inquérito para o Aécio no Supremo Tribunal Federal, para que a Comissão Executiva Nacional possa julgar esse caso com a seriedade devida à representação de um estado do tamanho do estado de São Paulo e com a importância que tem para o PSDB", afirmou.