BIG RIGGING
Rede de desvio de recursos publicos em contratações de Shows é descoberta em cidades de Mato Grosso
A Polícia Civil começou a apurar após solicitação do Ministério Público e ampliou os trabalhos com denúncias recebidas
21 de Agosto de 2026, 07h00
A Polícia Civil iniciou investigação sobre servidores públicos de prefeituras de Mato Grosso que teriam participado de contratações de shows e eventos com irregularidades. Os funcionários foram envolvidos em diferentes fases dos procedimentos, desde solicitações até assinatura de documentos e ordens de fornecimento.
A operação, denominada Bid Rigging e realizada na terça-feira 18, apurou também um conflito de interesses entre um servidor e uma representante de empresa contratada. O delegado Victor Donizete de Oliveira Pereira, que coordena os trabalhos, revelou que o esquema envolve contratações diretas sem o procedimento correto, alteração de documentos e possíveis pagamentos superiores aos valores do mercado.
Segundo as investigações, um grupo específico de pessoas e empresas surge repetidamente ligado às contratações. Em Ribeirão Cascalheira, foram localizados servidores que participaram de todas as etapas dos procedimentos. Em Novo Santo Antônio, foi encontrada ligação entre um agente público e a representante formal de uma das empresas envolvidas.
Os pesquisadores identificaram padrões como procurações para administração e licitações, reuso dos mesmos contatos comerciais, ligações familiares e empresariais entre investigados e circulação das mesmas empresas em negócios de diferentes cidades.
Empresa após empresa apresentava-se como representante exclusiva de artistas para evitar concorrência nas contratações. A legislação federal permite contratação direta sem licitação apenas quando há exclusividade permanente e contínua de representação. Conforme levantado, esses mesmos artistas foram contratados por outras empresas em municípios distintos, indicando que a exclusividade era falsa.
Uma das empresas investigadas recebeu em torno de 2,38 milhões de reais da Prefeitura de Luciara em 2025, segundo o Portal da Transparência. O delegado apontou que contratações da mesma empresa ocorreram em intervalos reduzidos, incluindo três negociações entre os dias 15 e 17 de outubro de 2025, além de duas inexigibilidades no mesmo dia 9 de dezembro envolvendo eventos e estruturas.
Os suspeitos também utilizaram sobrepreço. Uma dupla foi contratada em Ribeirão Cascalheira por 90 mil reais, enquanto os mesmos artistas receberam 69 mil reais em outro município e 52 mil reais em um terceiro, tudo no mesmo ano.
A Polícia Civil começou a apurar após solicitação do Ministério Público e ampliou os trabalhos com denúncias recebidas. Os investigadores analisaram contratos, processos de licitação, documentos de empresas, dados de impostos e informações de portais públicos.
Os contratos envolvem serviços de eventos como shows, montagem de estruturas, equipamentos de som, iluminação e geradores. Cidades como Ribeirão Cascalheira, Novo Santo Antônio, Luciara, Porto Alegre do Norte, Tesouro, Santa Terezinha, São Félix do Araguaia, Alto Boa Vista, Canabrava do Norte e Santa Cruz do Xingu estão no escopo da investigação.
Os investigadores vão examinar celulares, computadores, documentos, contratos, processos de licitação, procurações e materiais recolhidos durante as operações. Dados de equipamentos eletrônicos podem passar por análise técnica, caso recebam autorização da justiça.