JACIARA

Mandante e executores de feminicídio são presos pela Polícia Civil

Motivação do crime seria processo impetrado pela vítima para reconhecimento de paternidade de um dos filhos

por Redação com assessoria PJC/MT

21 de Setembro de 2018, 07h25

Mandante e executores de feminicídio são presos pela Polícia Civil
Mandante e executores de feminicídio são presos pela Polícia Civil

Tiago (apontado como mandante), João Vitor (confessou ter efetuado os disparos) e Gilmar (afirmou ter pilotado a motocicleta utilizada no crime). (Foto: divulgação PJC/MT)Três homens foram presos pela Polícia Civil por suspeita de envolvido na morte de Jakielly Pontes da Silva, de 25 anos, ocorrida na madrugada do dia 13 de setembro deste ano na BR-364, próximo à área central de Jaciara (MT). A motivação do crime, aponta a polícia, seria porque um dos envolvidos não queria assumir a paternidade de um filho da vítima de apenas oito meses.

Segundo a Polícia Civil, o homicídio aconteceu por volta das 01h30, quando a jovem retornava do trabalho em uma motocicleta Honda Biz. Ela foi surpreendida e atingida por aproximadamente cinco tiros. A jovem não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local.

Os trabalhos iniciais de apuração da Polícia Civil indicaram que Jakielly não possuía inimigos, era apontada por conhecidos como uma pessoa trabalhadora, mãe de três filhos, não possuía vícios ou dívidas e estava retornando do trabalho (uma loja de conveniência) quando foi assassinada. Nenhum pertence foi levado da vítima.

Em continuidade às investigações, os policiais descobriram que recentemente a jovem havia ingressado com uma ação de reconhecimento de paternidade postulando para que um dos suspeitos, Tiago Floriano de Paula, 30, reconhecesse uma criança de oito meses como filho dele.

O delegado à frente das investigações, João Paulo Praisner, explica que no dia 10 de setembro ocorreu uma audiência no Fórum de Jaciara em que Tiago se recusou a reconhecer voluntariamente a paternidade da criança. Na quarta-feira (12). Jakielly, Tiago e a criança forneceram material genético para exame de DNA. "Poucas horas após o fornecimento do material genético, Jakielly foi assassinada", explica.

Tiago foi encontrado em um lava-jato, do qual é proprietário. Ele foi conduzido até a Delegacia de Polícia para esclarecimentos e negou qualquer envolvimento no homicídio. Tiago declarou ainda ter permanecido em casa durante toda a noite. No entanto, "em razão das contradições apresentadas pelo suspeito e confronto com depoimentos testemunhais, representei pela prisão temporária do investigado, que foi decretada pelo Judiciário e cumprida ainda no dia 13 de setembro", esclarece o delegado.

Ao ser novamente interrogado, em 18 de setembro, Tiago acabou confessando ter sido o mandante do homicídio. O suspeito contou que contratou dois de seus funcionários, identificados como João Vitor Pereira dos Santos, 18, e Gilmar Oliveira dos Anjos, 25, para executarem a vítima.

Ainda durante o interrogatório, Tiago disse ter prometido a quantia de R$ 2 mil para João Vitor e R$ 1.500 para Gilmar. A motivação, de acordo com Tiago, decorreu o fato de Jakielly postular reconhecimento de paternidade.

O delegado João Paulo Praisner representou também pela prisão temporária de João Vitor e Gilmar, que foram deferidas pelo Judiciário. Gilmar foi surpreendido pelos policiais civis na quarta-feira (19) no lava-jato de propriedade de Tiago. Já Joao Vitor foi surpreendido em via pública no Bairro Santo Antônio, no interior de um veículo, quando se preparava para deixar o município com intuito de fugir.

Conduzidos à delegacia e interrogados João Vitor e Gilmar confessaram o crime, sendo que o primeiro afirmou ter efetuado os disparos contra a vítima e o segundo contou ter pilotado a motocicleta utilizada na prática do delito. Ambos também declararam terem sido contratados por Tiago sob promessa de recompensa financeira após a execução.

A identificação de prisão do mandante e dos executores do crime foi oportunizada por um trabalho intenso e comprometido de toda a equipe de policiais civis da Delegacia de Polícia de Jaciara, destaca o delegado João Paulo Praisner. "Todos se empenharam com afinco possibilitando que em poucos dias fosse possível elucidar o crime e prender os responsáveis pela morte de Jakielly", afirma.

Os três suspeitos seguem detidos, o inquérito policial será concluído no prazo de 30 dias.