obra sem fim III

Obra da travessia urbana causa transtornos e prejuízos a empresários e comerciantes

A obra foi iniciada ainda em 2009 e tem um histórico de paralisações

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22 de Janeiro de 2013, 09h43

Obra da travessia urbana causa transtornos e prejuízos a empresários e comerciantes
Obra da travessia urbana causa transtornos e prejuízos a empresários e comerciantes

'Esse é um caso escandaloso e nós não vamos deixar barato, pois é um valor muito alto e que até agora só deu dor de cabeça para a população', disse o suplente de senador José Medeiros - Foto Marcos Magalhães/GazetaMTA obra de duplicação de pouco mais de 13 quilômetros da travessia urbana das BRs 163/364 continua causando inconvenientes e transtornos para as pessoas que transitam ou tem comércio às margens das ditas rodovias. A obra foi iniciada ainda em 2009 e tem um histórico de paralisações. Paira sobre a mesma suspeitas de irregularidades quanto aos pagamentos feitos pela prefeitura à construtora Objetiva, empresa encarregada da execução da obra.

Segundo a atendente Fabiana Almeida, que trabalha em um hotel que fica à beira da rodovia, os transtornos são muitos e constantes. Ela reclama que as enormes filas de caminhões e carros que se formam em frente ao seu local de trabalho tem gerado transtornos para seus clientes. "Muitos clientes chegam aqui para se registrarem já estressados devido ao transtorno que essa obra causa para eles. Muitos deles saem daqui falando mal de Rondonópolis, pois essa obra fica bem na entrada da cidade. É um péssimo cartão de apresentação", afirmou.

Ela reclama ainda de um esgoto que corre á céu aberto em frente ao hotel que trabalha. "Nos dias em que chove até que dá para suportar o mau cheiro, mas no dia de sol quente, ninguém suporta. Isso é um transtorno muito grande para nós e a situação está intolerável", disse a atendente.

Já o técnico em logística Dirceu Benites, que trabalha em uma transportadora que também fica próxima á BR, diz que a obra tem atrapalhado muito o seu trabalho e de seus colegas, além de causar prejuízos financeiros à empresa que trabalha. "Todos os dias, principalmente nos horários de pico, se formam filas enormes de caminhões na estrada e não dá para ir até o centro da cidade. Nossos caminhões precisam ir até o Distrito Industrial (que fica a cerca de 5 quilômetros do local) para carregar e às vezes leva o dia inteiro para ir lá e voltar. Eles já estão nos cobrando um pouco a mais por isso", informou.

"Todos os dias é um transtorno chegar ao trabalho. A gente tem que procurar rotas alternativas. Espero que isso termine logo, pois essa é uma obra muito necessária e vai ser bom para nós. Mas precisa agilizar isso. Creio que se tivessem pegado firme quando começou, em seis meses ela estaria pronta, mas o negócio não anda. Alguém tem que fazer alguma coisa e obrigar os encarregados a terminar logo esse serviço. A gente não aguenta mais essa novela", disse Benites.

Investigação - Eivada de suspeitas de irregularidades, já que consumiu mais da metade dos recursos previstos e não está nem perto de ficar pronta, a obra estava prevista para ser concluída ainda em 2012, porém, o prazo foi prorrogado para junho deste ano. Se não for cumprido, corremos o risco de perder os recursos restantes.

Orçada ao custo total de R$ 54 milhões, a construtora responsável pela execução da obra já recebeu R$ 27 milhões, mas nenhum trecho da mesma foi concluído ou liberado para o tráfego.

No início deste ano, o vereador Thiago Muniz (PPS) anunciou sua intenção de fazer uma investigação profunda sobre as possíveis irregularidades existentes na obra e a instalação de uma Comissão Investigativa de vereadores. A investigação seria conduzida em parceria com o suplente de senador José Medeiros (PPS), que deve usar o gabinete do senador Pedro Taques (PDT) em Brasília como base junto aos órgãos do Governo Federal.

"Nós já mandamos ofícios para a direção do DNIT solicitando informações sobre o resultado da auditoria que foi feita na obra e cópias do contrato com a empreiteira que foi contratada para fazer a obra, mas até o momento não obtivemos resposta. Mas esse é um caso escandaloso e nós não vamos deixar barato e pode até ser que dê cadeia para alguém, pois é um valor muito alto e que até agora só deu dor de cabeça para a população. Não queremos ser mais que ninguém, mas no norte do Estado as obras andam e aqui não. Por que será? Nós, como homens públicos, temos a obrigação de investigar", pontuou o suplente do senador Pedro Taques.