"MEU ÍDOLO NÃO É FEMINICIDA"
Grupo de mulheres protestam na frente de estádio contra contratação de goleiro Bruno
Cerca de 50 mulheres se reuniram na noite de terça-feira (21), na manifestação realizada na porta do Estádio Dito Souza, em Várzea Grande.
22 de Janeiro de 2020, 06h57
Com faixas, cartazes, carros de som e usando roupas pretas um grupo composto por pelo menos 50 mulheres protestaram na noite desta terça-feira (21) contra a contratação do goleiro Bruno Fernandes, no Operário Futebol Clube de Várzea Grande.
O protesto foi pacífico, aconteceu na porta do Estádio Dito Souza, localizado no bairro Cristo Rei, momentos antes da partida de estreia do clube no Campeonato Mato-grossense de Futebol, contra o Poconé.
"Meu ídolo não é feminicida", “Feminicida não pode ser exemplo”, "#Brunonão", esses eram alguns dos dizeres estampados nas faixas empunhadas pelas manifestantes.
Para a procuradora do Estado e presidente do Conselho Estadual da Mulher, Glaucia Amaral, a contratação de Bruno é declaração de que o crime contra a mulher não significa nada.
"“Sabemos da influência do futebol. As crianças, principalmente, veem os jogadores como ídolos, como exemplo. Aqui, infelizmente, vemos a chancela, a declaração de que o crime contra a mulher não significa nada”, disse.
“Defendemos um trabalho especial com os condenados da Lei Maria da Penha. Mas, esse senhor já está reinserido na sociedade. Aqui estamos falando de retorná-lo à condição de ídolo”, acrescentou.
O ex-ídolo rubro negro já recebeu autorização da Justiça de Minas Gerais para residir em Várzea Grande e atuar pelo Operário, ele deve se apresentar no clube ainda esta semana.
Ex-Flamengo
Bruno foi preso em 2010 quando atuava pelo Flamengo e em março de 2013, foi condenado a mais de 20 anos pelo homicídio triplamente qualificado da modelo Eliza Samudio, com quem ele teve um filho.