"SACO SEM FUNDO"

Pátio volta a rebater “crise” financeira da Santa Casa

Prefeito criticou duramente gestão do hospital e reafirmou adiantamento de R$ 27 milhões em dezembro

por Robson Morais - De Rondonópolis

22 de Janeiro de 2020, 09h11

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Divulgação

Em sua mais recente entrevista sobre os repasses -feitos e não- para a Santa Casa de Rondonópolis, o prefeito José Carlos do Pátio, enfim, deixou de lado a habitual diplomacia. Na semana em que o hospital filantrópico, mais uma vez, foi destaque no noticiário devido a uma suposta crise, o gestor municipal tornou a contestar o que chamou de “saco sem fundo”.

Para reafirmou, desta vez em tom mais incisivo, que o problema da Santa Casa de Rondonópolis não está na falta de repasse, mas, sim, na falta de gestão. “Se fizermos um cálculo, entre verbas federais, estaduais e do município, com o que foi repassado dá para comprar 1,8 mil Gol (carro) 0km por ano. O problema da Santa Casa é um problema de gestão e não estou vendo nenhum dos Poderes constituídos tomarem posição quanto a isso”, criticou o prefeito.

Aos veículos de imprensa, o prefeito frisou os adiantamentos financeiros feitos pela Prefeitura ao hospital filantrópico. “Estamos tentando construir uma pauta positiva para a Santa Casa. Somente em dezembro foram repassados R$ 27 milhões”, afirmou. “A Santa Casa vai continuar assim? Um saco sem fundo? E nós repassando dinheiro e ela nunca conseguindo se estruturar?”, questionou.

A entrevista foi postada em vídeo na página oficial da Prefeitura de Rondonópolis em uma rede social.

Emendas parlamentares

Como noticiado pela reportagem do GazetaMT, a Santa Casa de Rondonópolis ainda aguarda o recebimento de pouco mais de R$ 5,4 milhões -nas contas da Prefeitura. Os recursos são oriundos de emendas parlamentares federais destinadas à unidade de Saúde.

No montante, estão emendas destinadas pela bancada mato-grossense em Brasília. Os valores ultrapassam a casa dos R$10,4 milhões. Em 2019, a Prefeitura chegou a antecipar um repasse de R$ 5 milhões aos cofres do hospital.

À reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde informou na ocasião que aguardava a abertura do orçamento para repassar os R$ 5,4 milhões restantes para a Santa Casa.

"Como a Prefeitura já havia adiantado R$ 5 milhões como forma de colaborar para que o hospital continuasse funcionando, o restante do valor a ser repassado vai totalizar o valor da emenda parlamentar de R$ 10,4 mi, emenda essa liberada e enviada ao município já em 2020" disse o órgão em nota.

Mais enfático

Ainda na entrevista, Pátio criticou a possibilidade de fechamento dos setores de ginecologia e obstetrícia, anunciada pela própria Santa Casa na semana passada. O motivo, alega a unidade de Saúde, é a falta de profissionais médicos para atender os plantões da unidade hospitalar. Segundo informado, a atual equipe é insuficiente para prestar atendimento no regime de plantões no hospital e, por isso, o serviço está prejudicado. Os poucos médicos atuantes, informa a Santa Casa, estão expostos ao cansaço.

“Vão parar (o serviço) por quê? Porque repassamos R$ 27 milhões!? Vamos abrir o debate. Hoje o povo está sofrendo, a gente dando dinheiro e a Santa Casa não cumprindo (sua parte). A sociedade precisa ter clareza disso” rebateu Pátio.