OPERAÇÃO QUADRO NEGRO

Quadrilha instalou software falsos comprados de empresa fantasma; desvio de mais de R$ 10 milhões

O empresário Valdir Piran foi apontado como líder da quadrilha. Ele e mais cinco foram presos na manhã desta terça-feira (22).

por Cuiabá, MT - Daffiny Delgado

22 de Outubro de 2019, 12h19

Quadrilha instalou software falsos comprados de empresa fantasma; desvio de mais de R$ 10 milhões
Quadrilha instalou software falsos comprados de empresa fantasma; desvio de mais de R$ 10 milhões

Reprodução

O esquema que desviou mais de R$ 10 milhões dos cofres públicos investigado na operação Quadro Negro, deflagrada na manhã desta terça-feira (22) pela Polícia Civil, apontou que a quadrilha utilizou de uma empresa fantasma para desviar o dinheiro e instalou softwares piratas nas escolas, em Mato Grosso.

A operação da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR), em conjunto com o Comitê Interestadual de Recuperação de Ativos (CIRA), Delegacia de Capturas e Polícia Interestadual (DCPI) de Brasília e Ministério Público Estadual (MPE), cumpriu seis mandados de prisão e sete de busca e apreensão. Além disso, foi decretado o sequestro de imóveis e veículos de luxo.

As irregularidades foram descobertas por meio de uma auditoria feita pela Controladoria Geral do Estado (CGE), que apontou irregularidades em contratos firmados entre a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e o Centro de Processamentos de Dados do Estado (Cepromat) nos anos de 2014 e 2015.

De acordo com as investigações, os contratos previam a aquisição de licenças de uso de software educacionais, destinados a aulas interativas no ensino fundamental e no ensino de jovens e adultos em 30 escolas de Cuiabá, Várzea Grande e outros 11 municípios.

O delegado Luiz Henrique Damasceno, titular da Delegacia Especializada em Crimes Fazendários (Defaz), explicou que o material pode ter sido copiado, uma vez que o conteúdo era direcionado ao estado de São Paulo.

“Efetividade do contrato é zero. Verificou-se que entre os objetos oferecidos havia conteúdo de história de São Paulo. Esse material não interessa para alunos de Mato Grosso", destacou.

Damasceno revelou ainda que as empresas Avançar e Embrated tinham como representante, Weydson Soares Fonteles, que seria testa de ferro do empresário Valdir Piran.

“Tratam-se de empresas de fachada, que nunca existiu. Fomos até o endereço da empresa e ela não existe.  O representante legal Weydson Soares Fonteles, foi um dos presos na operação e ele é tido como testa de ferro de Piran, que é o líder de todo o esquema", acrescentou delegado.

Sobre o destino do dinheiro, Damasceno contou que isso ainda está sendo apurado, mas as investigações até agora apontam que todo o valor desviado era direcionado à Piran.

"Por isso foi determinado o sequestro de bens dele na ordem de R$ 10 milhões, sendo apreendido dois veículos de luxo entre outros bens", explicou.

Os alvos

Além do empresário Valdir Piran, foram presos na operação o ex-deputado e ex-presidente do Cepromat, Wilson Teixeira Dentinho, Weydson Soares Fonteles, em Luziânia (GO), e ex-diretor de Tecnologia do Cepromat, Djalma Souza Soares, Francisvaldo Pereira de Assunção e Edevamilton de Lima Oliveira.

Nome da operação

Operação Quadro Negro, remete ao quadro e giz que ainda funcionam nas escolas, já que as lousas digitais eram falsas, bem como à situação (quadro) estrutural crítica que a educação básica se encontra em razão dos prejuízos causados pelos desvios.