NOVA REGRA

Fim da escala 6x1 deve acelerar automação e mudar a gestão das empresas em Mato Grosso

A redução de 44 para 40 horas semanais, sem alteração salarial, representa um aumento de 10% no custo da hora de trabalho. Especialista explica os principais desafios dessa transição

por EMERSON DOURADO

22 de Outubro de 2026, 13h47

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Divulgação

O fim da escala 6x1 deve provocar mudanças na rotina das empresas de Mato Grosso, especialmente nos setores que dependem de mão de obra intensiva, como comércio, indústria, agronegócio e serviços. Com a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial, o custo da hora trabalhada aumenta 10%, pressionando as organizações a buscar novas formas de manter a produtividade.

A tendência é de intensificação dos investimentos em automação, revisão de processos e qualificação profissional, avalia a consultora em desenvolvimento humano e organizacional da Vesi Consulting, Edilene Bocchi. Para a especialista, a mudança coloca as organizações diante de um dos maiores desafios de gestão das últimas décadas.

A adaptação não poderá se limitar à contratação de funcionários ou ajustes nas escalas de trabalho. A mudança deve acelerar a busca por eficiência nos negócios por meio da inovação, uma tendência que já vinha ganhando força no mercado.

Em Mato Grosso, onde a taxa de desemprego de 2,4% é uma das menores do país, um dos maiores desafios das empresas já era suprir seu quadro de vagas e controlar os custos. A redução de 44 para 40 horas semanais, sem alteração salarial, representa um aumento de 10% no custo da hora de trabalho, dado que ajuda a dimensionar a pressão sobre as empresas, avalia a especialista.

Para Bocchi, as empresas terão que identificar tarefas que podem ser automatizadas, eliminar processos desnecessários, criar novas formas de funcionar, descontinuar produtos e serviços, automatizar áreas comerciais, administrativas e operacionais e capacitar profissionais para utilizar novas ferramentas.

“As empresas precisarão encontrar maneiras de produzir mais e melhor com menos pessoas. Isso passa pela necessidade de repensar os negócios, revendo processos, eliminando atividades que não agregam valor e investindo em tecnologia, mas também por preparar as pessoas para uma nova forma de trabalhar”, afirma Edilene.

O desafio tende a ser maior em setores que dependem de funcionamento contínuo ou de grande disponibilidade de mão de obra, como indústria, agronegócio, comércio e serviços. A Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) já divulgou uma estimativa de impacto em 84,7% do emprego industrial do estado, com aumento de 9,9% a 14,8% na folha de pagamento.

Nesse cenário, o setor de Recursos Humanos ganha protagonismo nas decisões estratégicas. Caberá ao RH identificar necessidades de pessoal, apoiar a reorganização das equipes, desenvolver competências digitais e preparar lideranças para novos modelos de gestão.

“A tecnologia pode ajudar a compensar parte dos impactos da redução da jornada, mas não resolve sozinha os desafios de produtividade. É preciso que as lideranças saibam organizar prioridades, distribuir responsabilidades e desenvolver equipes mais eficientes”, destaca.

Para Edilene, as organizações que anteciparem esse planejamento terão melhores condições de enfrentar a transição. “O debate vai muito além da quantidade de horas trabalhadas. Ele coloca em discussão a capacidade das empresas de inovar, desenvolver pessoas e construir modelos de gestão mais eficientes e sustentáveis. O RH precisa estar à frente dessa transformação”, conclui.

O que foi aprovado

O Congresso Nacional promulgou a emenda constitucional que põe fim à escala 6x1. A nova regra estabelece dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial, e diminui gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais. A nova jornada de trabalho entra em vigor em 15 de dezembro de 2026 com redução de duas horas semanais. Após 12 meses da primeira etapa, o limite será reduzido para 40 horas semanais.