AL-MT exige detalhes dos gastos com privatização de hospitais públicos

O presidente da mesa diretora da Casa de Leis quer cópias de todos os contratos efetuados em 2011 com as OSS, especialmente dos hospitais

por CRISTINA CAVALEIRO

22 de Novembro de 2011, 09h22

AL-MT exige detalhes dos gastos com privatização  de hospitais públicos
AL-MT exige detalhes dos gastos com privatização de hospitais públicos



O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso,  deputado José Riva (PSD), encaminhou requerimento ao governador Silval Barbosa solicitando informações sobre as Organizações Sociais de Saúde (OSS), instituições contratadas para gerir a saúde pública de Mato Grosso.

 O presidente da mesa diretora  da Casa de Leis quer cópias de todos os contratos efetuados em 2011 com as OSS, especialmente dos hospitais; informações sobre a constituição dos Conselhos Administrativos de cada organização; detalhes sobre os resultados, as metas mensais contratadas e as alcançadas por cada uma. Entre os questionamentos, o parlamentar quer saber o número de cirurgias e consultas realizadas, para avaliar os serviços prestados no estado.

 Além disso, exige cópia do convênio firmado com a Federação dos Hospitais Filantrópicos de Mato Grosso e a justificativa para sua formalização. Ele lembra que Assembleia Legislativa tem sido parceira do Governo do Estado nas ações que beneficiam a população. Mas, sem perder o foco da fiscalização da administração pública. "Sempre afirmei a importância de ajudarmos na governabilidade, mas sem subserviência e este requerimento vai nos esclarecer sobre o desempenho das OSS até o momento", explica Riva.

 Segundo ele, é cedo para fazer avaliar essas organizações, que ainda não se firmaram. Porém, diante da caótica situação da saúde pública, é preciso ter celeridade na administração pública e observar se as condições são realmente favoráveis ao Estado. "As OSS ainda não se firmaram, mas temos que fiscalizar os contratos, já que há informações de que com essas organizações o Governo gasta pelo menos três vezes mais em relação à tabela do Sistema Único de Saúde", alerta o presidente.

 Riva defende uma gestão compartilhada entre governo e municípios para que cada um exerça o seu papel priorizando o sistema de saúde pública. E argumenta que a falta de atenção básica no interior piora ainda mais a situação, aglomerando a Capital. Também espera que o Executivo utilize a capacidade de endividamento para construir um grande hospital em Cuiabá, que é a única capital sem hospital estadual e federal.

 Amanhã (22), os coordenadores do Movimento de Saúde e Democracia - MSD entregarão cinco mil assinaturas colhidas em favor da retomada do Hospital Central de Cuiabá. A entrega será na reunião semanal do Colégio de Líderes, às 15 horas, na presidência da AL. De acordo com o coordenador MSD, dentista Wagner Simplício, há recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Justiça Federal para que o Governo de Mato Grosso retome essa obra. Na oportunidade, o MSD também vai expor sobre a contratação de OSS. O movimento questiona o tratamento privilegiado às OSS, que recebem muito acima da tabela do SUS.