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Câmara decide ampliar discussão sobre mudança em lei que proíbe venda de bens do município

Sete vereadores aprovaram o 'Pedido de Vistas' que causou o adiamento da votação; Mohamed Zaher quer audiência pública sobre o assunto.

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22 de Novembro de 2012, 21h30

Câmara decide ampliar discussão sobre mudança em lei que proíbe venda de bens do município
Câmara decide ampliar discussão sobre mudança em lei que proíbe venda de bens do município

Em reviravolta surpreendente, vereadores decidiram adiar votação de projeto polêmico

Um pedido de vistas apresentado pelo vereador Mohamed Zaher (PSD) impediu que a Câmara Municipal votasse nesta quinta-feira (22) o projeto que altera a Lei Orgânica, liberando a alienação de bens do município por prefeitos em fim de mandato. O vereador alegou a necessidade de ampliar a discussão com a sociedade e fazer consultas jurídicas mais aprofundadas antes de promover a alteração. A argumentação de Mohamed foi acolhida por sete vereadores. Apenas os vereadores Miltão (PMDB), Fulô (PMDB), José Márcio Guedes (PR) e Milton Mutum (PSD) votaram contra a ampliação do debate.

O resultado foi considerado surpreendente já que a mudança na lei havia sido solicitada pelo prefeito Ananias Filho (PR), que detém o apoio de oito vereadores (dois terços) da Casa. Segundo o vereador Mohamed Zaher, a decisão de permitir mais tempo para estudar o projeto é fruto da maturidade dos colegas. 

"Todos aqui compreendem a importância da Lei Orgânica e sabem que só podemos alterá-la se for para beneficiar o povo. Há muitas dúvidas que precisam ser sanadas e a melhor forma de fazer isso é com transparência, ouvindo a sociedade", argumentou Zaher.

Durante a sessão, Zaher e o vereador Reginaldo Santos usaram a tribuna para rebater os argumentos utilizados pelos defensores da mudança na Lei Orgânica. Eles lembraram que a Lei foi promulgada em 1997 e as alterações que forem feitas para resolver pequenos problemas agora poderão abrir brechas perigosas no futuro. 

Segundo os vereadores da base aliada ao prefeito, a mudança na lei tem o objetivo de viabilizar transações de permutas de imóveis para a aquisição de uma creche e também como pagamento da área onde está o bairro Alfredo de Castro. Os alegações são consideradas frágeis pelos que se opõem a mudança na legislação. 

"Já tivemos prefeitos que em final de mandato venderam até áreas destinadas à praças e foi para impedir práticas assim que os legisladores incluíram esta proibição na Lei Orgânica. Não tenho nada contra o prefeito atual e nem contra o próximo prefeito, mas acho que mudar a lei por causa de dois terrenos é imoral e perigoso. No futuro essa brecha poderá ser usada contra a sociedade", alertou Zaher.

Conforme o Regimento Interno da Câmara, após a aprovação do pedido de vistas o parlamentar tem cinco dias para fazer os estudos que considerar necessário. Zaher já antecipou que neste período vai solicitar a avaliação de juristas e convocará uma audiência pública para saber também o que a população pensa sobre o assunto.

Surpresa
Entre os vereadores que aprovaram o pedido de vistas estão, além do próprio Zaher, os oposicionistas João Gomes (PSD) e Reginaldo Santos (PR). A surpresa foi o apoio dado pelos vereadores Cido Silva (PP), Manoel da Silva Neto (PMDB), Adonias Fernandes (PMDB) e Olímpio Alvis (PR), todos integrantes do grupo que dá sustentação ao prefeito Ananias Filho (PR).

Aliados do prefeito reconheceram que é preciso mais discussão antes de mudar a leiApesar de reiterar o apoio ao prefeito e de ponderarem que a extinção do artigo é importante para equacionar as contas da Prefeitura, estes parlamentares reconheceram que a mudança na Lei Orgânica é uma decisão que pode ter consequências graves e exige uma reflexão maior com a sociedade.

"Com a aprovação desse pedido de vistas poderemos discutir melhor o assunto e corrigir algumas falhas. Poderemos, por exemplo, solicitar os pareceres da Procuradoria Jurídica da Prefeitura e da própria Câmara para avaliar bem o alcance dessa medida", avaliou Adonias Fernandes.

O vereador Manoel da Silva Neto também admitiu que o adiamento da votação permitirá mais segurança na tomada da decisão, mas antecipou que mantém a defesa de uma mudança na lei. 

"Mesmo que se chegue a conclusão de que a proibição deve ser mantida, precisaremos discutir uma flexibilização neste artigo para atender situações excepcionais como ocorre agora. Não podemos simplesmente engessar o prefeito no fim do mandato. Isso também pode representar prejuízos à população", afirmou.