EXCLUDENTE DE ILICITUDE

Governo entrega ao Congresso novo projeto sobre excludente de ilicitude

por G1

22 de Novembro de 2019, 06h18

Governo entrega ao Congresso novo projeto sobre excludente de ilicitude
Governo entrega ao Congresso novo projeto sobre excludente de ilicitude

O governo federal entregou ao Congresso um novo projeto que trata da chamada excludente de ilicitude. O texto dá tratamento diferenciado a atos ilegais de policiais e de militares empregados em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), quando agirem contra criminosos.

A notícia saiu logo cedo nesta terça (21), no Diário Oficial e, já na saída do Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro falou sobre o assunto.

Repórter: É só para militar ou geral?

Bolsonaro: O pessoal do Art. 144 da Constituição. Todo mundo que está lá.

O Artigo 144 da Constituição diz que a segurança pública é exercida pelos seguintes órgãos: Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Ferroviária Federal, polícias civis, polícias militares e Corpos de Bombeiros militares. Além dessas forças, o projeto também engloba as Forças Armadas e a Força Nacional de Segurança.

O texto foi entregue em mãos pelo ministro da Defesa, Fernando Azevedo, ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Enquanto isso, o próprio presidente Bolsonaro já estava fazendo apelo para a aprovação do projeto.

“O que é excludente de licitude? Em operação, você responde, mas não tem punição. Vamos depender agora, meus parlamentares, deputados e senadores, de aprovar isso lá. Será uma grande guinada no combate à violência no Brasil”, afirmou Bolsonaro.

O texto estabelece que ações de militares e agentes, em operações GLO, sejam consideradas legítima defesa em casos de enfrentamento de prática ou iminência de prática de terrorismo e condutas que possam causar morte ou lesão, restrição de liberdade com violência ou ameaça grave, e porte ou uso ostensivo de arma de fogo.

Ao enfrentar esses casos, o agente só poderá ser punido se cometer excessos de forma proposital, e não cabe aí prisão em flagrante. Além disso, a pena ainda pode ser reduzida. O texto também prevê que a Advocacia-Geral da União faça a defesa dos militares.

Operações de GLO dependem de ordem presidencial e concedem provisoriamente às Forças Armadas o poder de polícia.

A excludente de ilicitude mais ampla, para todos os tipos de operação, estava no pacote anticrime do ministro da Justiça, Sergio Moro, e foi rejeitada pelo grupo de trabalho que analisou o texto.

Especialistas em segurança pública criticam a proposta.

“Ao policial e ao militar numa situação no exercício de uma operação de GLO, é óbvio que, como representante do estado, tem que outorgar a ele garantias jurídicas para que ele possa exercer seu trabalho. Isso é uma coisa. Isso já está previsto na legislação. Outra coisa é agir de alguma forma a que se possa conceder um cheque em branco para forças policiais e forças de ordem que já têm um nível de letalidade extremamente elevado”, explicou Felippe Angeli, gerente de Relações Institucionais do Instituto Sou da Paz.