SECOPA

Ingerência política cria crise e afeta preparativos para a Copa, diz Sachetti

Ex-presidente da Agecopa diz que interesses eleitorais continuam comprometendo preparativos para a Copa 2014

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22 de Abril de 2012, 09h45

Ingerência política cria crise e afeta preparativos para a Copa, diz Sachetti
Ingerência política cria crise e afeta preparativos para a Copa, diz Sachetti

Os preparativos de Mato Grosso para a Copa do Mundo de 2014 voltaram a ser tema de preocupação nesta semana, após a misteriosa demissão de Éder Moraes da Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa). O deputado federal Wellington Fagundes (PR) foi sondado para o cargo, mas o governador Silval Barbosa desistiu dele após as denúncias de envolvimento no esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Estaria aí uma nova crise? Na opinião de Adilton Sachetti, o primeiro a tentar organizar a Copa, esta é a mesma crise de sempre e não há expectativa de solução. Em entrevista exclusiva ao Gazeta MT, ele falou sobre a demissão de Éder Moraes, dos preparativos para a Copa e voltou a criticar o uso político do evento.

"O modelo de organização tem um um problema de origem, que é a ingerência política. Estão usando o projeto da Copa do Mundo com objetivos eleitorais. A demissão de Éder Moraes e a nomeação de qualquer outro não mudará nada enquanto esse problema original não for resolvido", garante Sachetti.

Adilton Sachetti é ex-prefeito de Rondonópolis e foi o primeiro presidente da Agecopa, agência criada pelo Governo do Estado em 2009 para cuidar dos preparativos. Conforme ele, a ideia original era uma empresa de caráter técnico, autônoma e sem qualquer conotação política. Mas, como quase sempre ocorre com as 'boas idéias', o resultado final foi bem diferente.

Na Assembléia Legislativa o texto foi mudado e a Agecopa já nasceu loteada por políticos e vencida pelos interesses eleitorais. Ao invés de um presidente com poder decisório, o texto que saiu da ALMT previa o compartilhamento das decisões com seis diretores executivos - entre eles figuras conhecidas no meio político como Roberto França, Yuri Bastos Jorge, Carlos Brito e Agripino Bonilha Filho.

A situação interna logo se deteriorou e, em outubro de 2010, apenas 11 meses após a criação da empresa, Adilton Sachetti renunciou à presidência denunciando o uso político da Agecopa. O governo ainda tentou manter a agência, mas a disputa por poder entre diretores causou sua implosão.

A Agecopa foi extinta em 29 de setembro de 2011 e substituída pela atual Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (SECOPA). Mais enxuta (com 'apenas' 50 cargos e quatro diretores adjuntos) e diretamente ligada ao gabinete do Governador, a Secopa não conseguiu superar os problemas de sua antecessora. Segundo Sachetti, o uso político e a falta de foco ainda comprometem os preparativos para a Copa.

"Os interesses na disputa pela prefeitura de Cuiabá e nas eleições de 2014 continuam contaminando as decisões e prejudicando as ações. Estamos perdendo tempo com discussões estéreis e gastando muito dinheiro com coisas desnecessárias. Torço para que dê tudo certo, mas é preciso dizer que o quadro é preocupante", disse Adilton.

 

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