Pasadena

Dilma volta a negar culpa em compra de refinaria; jornal revela que Astra tentou desfazer o negócio

A presidente incubiu o ministro da Casa Civil, Aloízio Mercdante, de responder críticas feitas pelo ex-presidente da estatal

por GazetaMT

22 de Abril de 2014, 10h43

Dilma volta a negar culpa em compra de refinaria; jornal revela que Astra tentou desfazer o negócio
Dilma volta a negar culpa em compra de refinaria; jornal revela que Astra tentou desfazer o negócio

O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, falou ontem sobre a declaração feita pelo ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, para quem a presidente Dilma Rousseff "não pode fugir da responsabilidade" sobre a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Mercadante evitou polemizar, mas reafirmou que a presidente aprovou o negócio em 2006 com base em um resumo executivo que não continha duas cláusulas importantes do contrato.

A entrevista de Gabrielli foi publicada pelo jornal 'O Estado de São Paulo' no domingo (20) e irritou Dilma. Ontem (21), ela acionou Mercadante por telefone e pediu que ele divulgasse seu posicionamento.

A compra aprovada por Dilma foi de 50% da refinaria em 2006 por US$ 360 milhões. A cláusula Put Option obrigava a Petrobras a adquirir a outra metade da belga Astra Oil em caso de desacordo comercial, enquanto a Marlin previa uma rentabilidade mínima à sócia devido a investimentos que seriam feitos para que a refinaria passasse a processar óleo pesado, como o produzido no Brasil.

Após uma disputa na justiça norte-americana, o negócio acabou custando US$ 1,25 bilhão à estatal brasileira. Em 2005, a Astra tinha comprado a mesma refinaria por US$ 42,5 milhões. Segundo a Petrobras, porém, a empresa belga teve outros gastos e teria investido US$ 360 milhões antes da parceria.

A manifestação da presidente expõe as contradições entre as versões defendidas por Dilma e a atual presidente Graça Foster e a gestão anterior da companhia: Gabrielli e o ex-diretor internacional Nestor Cerveró. Dilma e Graça culpam a omissão das cláusulas pelo prejuízo de US$ 530 milhões registrado no balanço da companhia, enquanto Gabrielli e Cerveró atribuem à crise financeira internacional, às mudanças no mercado de petróleo e à falta de investimento os problemas no negócio.

Novas informações
Não bastasse a polêmica entrevista de Sérgio Gabrielli, o Governo Federal foi surpreendido nesta semana com a divulgação pelo jornal 'Folha de São Paulo' de que o grupo belga Astra, de quem a Petrobras comprou a refinaria, tentou recomprar a fatia da empresa em 2007 mas teve a proposta recusada.

Citando informações colhidas junto a Associação Americana de Arbitragem, que julgou a disputa entre as sócias, o jornal diz que Gilles Samyn, então presidente do Conselho de Administração da Astra Transcor, acionista da Astra Oil, quis comprar de volta os 50% adquiridos pela Petrobras, mas não conseguiu se entender com o então presidente da estatal Sérgio Gabrielli.