“PELA MINHA NETA...”
Vereador Cláudio da Farmácia detona homenagens à família durante votação do Impeachment
22 de Abril de 2016, 07h00
"O resultado era predominarem, em toda a vida social, sentimentos próprios à comunidade doméstica, naturalmente particularista e antipolítica, uma invasão do público pelo privado, do Estado pela família..."
A frase acima foi dita pelo historiador Sérgio Buarque de Holanda e se refere à postura de políticos que justificam ou tentam explicar direcionamentos de interesse público mediante sua vida privada. Familiar o pensamento, dito pelo autor na década de 30, com os discursos ouvidos pelos deputados em 2016 durante a votação que deu abertura ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), já encaminhado para o Senado. Ao GazetaMT, o vereador por Rondonópolis Claudio da Farmácia (PMDB) também analisou a falta de profundidade argumentativa que deixou de agregar ao debate talvez mais importante da última década.
Durante pronunciamento na Tribuna da Sessão Ordinária da Câmara, o parlamentar criticou o aproveitamento, por parte dos deputados pro-impeachment, da oportunidade de discurso para dar lugar aos recados pessoais. "Infelizmente, a grande maioria dos deputados ou quase todos se preocuparam em fazer suas homenagens à família, às netas ou sei lá mais o quê. Ninguém se mostrou preocupado em realmente defender ou se atentar para a situação política vivida no país", pontuou. "Um processo de impeachment é muito mais do que se preocupar em homenagear a esposa, o filho a sogra ou seja lá quem", disse.
Ainda no PMDB, partido recém rachado após anos de aliança e base de sustentação petista em Brasília, Cláudio da Farmácia disse não concordar com a composição que se anuncia caso seja aprovado o processo de impedimento da atual presidente da República. Sobre este ponto, o vereador atacou, principalmente, os também peemedebistas Michel Temer e Eduardo Cunha e defendeu novas eleições para a tomada de decisão. "Essa composição, com o ex-presidente (Temer) não é o que a população deseja. O Temer já tem até discurso pronto, deixou vazar naquele episódio do áudio. Mas pelo que vejo nas ruas, aqui mesmo em Rondonópolis, o povo deseja participar, quer novas eleições. Que se candidate quem quiser, mas o povo quer ter o direito de escolher novamente. Precisamos de mais profundidade no debate e o povo quer ter o direito da escolha", completou.