CRISE NA SANTA CASA
Ministro afirma que só aportará recursos se houver seriedade e planejamento
O pronunciamento foi feita na tarde desta segunda-feira (22), durante visita a Cuiabá.
22 de Abril de 2019, 17h00
O ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, afirmou que o Governo Federal só encaminhará recursos para a Santa Casa de Misericórdia, quando a direção da entidade fornecer um relatório com os números reais dos passivos e de onde vai investir.
Mandetta esteve em Cuiabá nesta segunda-feira (22) para o lançamento da 17ª Semana de Vacinação nas Américas (SVA), que ocorreu na parte da manhã e a inauguração de uma ala do novo Pronto-Socorro, que foi realizado esta tarde.
“Aquela fase do quero dinheiro, me dá aí, sem um impacto, sem planejamento, sem um plano... Onde nós vamos chegar com o gasto público? Está muito dura a carga tributária em todo o país. Não é por causa do apelo de uma instituição A, B ou C que a gente vai deixar de ter o profundo zelo pelo dinheiro público”, criticou ministro.
A Santa Casa possui uma dívida com funcionários, fornecedores e instituições bancárias, que segundo gestores chegam à R$ 118 milhões. O hospital fechou suas portas há pelo menos 40 dias.
Um levantamento sobre a atual situação da Santa Casa já foi solicitado. Mandetta acredita que quando a situação for esclarecida, poderemos saber os reais problemas de gestão que levaram ao fechamento do hospital.
"É importante deixar claro a responsabilidade dos gestores que criaram essa situação, a responsabilidade dos gestores filantrópicos. Outra parte é a assistência à população. Se a gente conseguir que a sociedade entenda porque as coisas chegaram no ponto que chegaram, aí todos nós vamos ser atores do nosso tempo e enfrentar esse problema", criticou.
“Me incomoda profundamente ver hospital fechar. E me incomoda muito mais ainda ser um hospital com a tradição e história da Santa Casa de Cuiabá. A gente está atento. Pode ficar tranquilo que vamos enfrentar seja ela como for", acrescentou Mandetta.
Crise e possível intervenção
A grave situação da Santa Casa já foi tema de debate em Brasília. O prefeito Emanuel Pinheiro (DEM), se reuniu com a bancada federal de Mato Grosso, com vereadores da Capital e até mesmo com os ex-diretores da unidade para chegar a uma solução do problema.
Na época, chegou a ser cogitada a intervenção, por parte da Prefeitura, para que houvesse a reabertura da unidade. No entanto, por enquanto a medida foi descartada pelo prefeito.
Para o prefeito da Capital a instituição é privada e a má-gestão não pode ser trazida para dentro de seu governo. Mas, ele não destaca que a ideia, caso seja partilhada pelos governos do Estado e União poderia ser possível.
“Temos que discutir bastante para resguardar Cuiabá, tendo em vista que a Santa Casa é uma instituição privada. É privada. E que teve um sério e grave problema de administração interna, que a levou praticamente à falência. E eu não posso trazer esse problema de má-gestão para dentro da Prefeitura de Cuiabá, que já tem inúmeros problemas com a Saúde. Uma possível intervenção tem que ser precedida do envolvimento direto e seguro do Governo do Estado. Até porque 70% dos pacientes da Santa Casa são do interior do Estado. E também do Ministério da Saúde porque a saúde pública é universal. O SUS é universal. Havendo essa garantia, temos que discutir”, afirmou.