Greve: Não se tratando como deve, um paliativo resolve?

por GazetaMT

22 de Junho de 2012, 11h30

Greve: Não se tratando como deve, um paliativo resolve?
Greve: Não se tratando como deve, um paliativo resolve?

A greve do corpo docente das universidades federais, em todo o país, já passa do seu 1º mês, e ao contrário de, se aproximar de um acordo ou solução, vêm inspirando mais e mais categorias, principalmente no âmbito federal, a se mobilizarem para também cobrar -  de uma maneira mais enérgica - reivindicações, novas ou já recorrentes.

O 1º mês da greve dos professores - que de acordo com o presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat) em Rondonópolis , o professor aposentado Antônio Gonçalves Vicente, o "Tatí", abrange praticamente 100% das instituições do país - marca também a primeira semana de greve dos servidores administrativos das universidade, o risco de greve geral dos médicos do Sistema Único de Saúde (SUS), além de uma presença mais frequente de diversos sindicatos e associações na mídia, levantando reivindicações.

De acordo com o representante dos professores, a situação é complicada, os acordos fechados na última greve - reajuste salarial, adequação do plano de cargos e carreiras e melhoria na qualidade de ensino - foram protelados e, ou, não cumpridos. A postura do Governo também irrita a classe. A reunião agendada, pelo Governo, para acontecer na última terça-feira (19), em Brasília, não ocorreu, também por iniciativa do Governo.  

Essa mistura de Sindicatos agitados mais postura displicente do Governo, não em poucos casos - e nem em poucos países - resulta em uma greve ou paralisação generalizada, criando um instabilidade em cascata, um efeito dominó que, em tempos de crise internacional, o país não pode se dar ao luxo de ter, ainda mais em uma área que o Brasil briga, há anos, para deixar de ser referência negativa.  

"Da última vez o Governo fez o acordo e dizendo que, com o fim da greve,  iria se implantando o que foi combinado, e não foi o que aconteceu. Desta vez não tem essa. A greve vai enquanto não tiver acordo firmado e oficializado, o prazo para término da greve não é indeterminado só no papel não, as associações de quase todas as instituições do país estão juntas. Só volta com acordo fechado e selado" destacou Tati.

A ironia de toda essa história é o foco do governo no programa para aumento de número de faculdades de medicina em todo o Brasil. Rondonópolis receberá 40 vagas para o curso que ano após ano é o mais concorrido dos exames, e há a previsão para começar as aulas ainda em 2014.

Confuso é pensar que os universitários e a classe médica são exatamente as categorias mais agitadas no atual quadro, os médicos do SUS tendo ameaçado o início de greve, e os docentes com uma já em andamento. Abrir vagas sem resolver a situação das já ocupadas - em ambas as situações, já que o programa de abertura de mais cursos tem o inutito de formar mais médicos, e demanda de mais professores - não seria apenas um paliativo?

Aos já professores, não resolvido o impasse, a tendência é manter-se a paralisação. "Pseudorresolvendo", a questão se acalma agora, mas, usando a atual situação como parâmetro, não demorará muito para uma nova paralisação.

No Campus de Rondonópolis, hoje, tem-se cerca 3,2 mil alunos, todos sem aulas. A questão - distante, mas que ainda aflige - é: será que a primeira contribuição da turma ingressa de medicina na cidade será ajudar essse número chegar aos 3,240 mil?