HOMENAGEM

A VIDA É MESMO UM SOPRO...

por Patrícia Alves Santos Oliveira

22 de Junho de 2020, 14h35

Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal

Dizem que todos devem plantar uma árvore, ter filhos e escrever um livro. Penso que essa árvore não precisa ser concreta, há vida nas abstrações...

Pelezinho fez do sopro, canção! Do fôlego, melodia! Da voz, alegria!

Escolheu trilhar o caminho da esperança, mas não da esperança que espera sentado a vida passar. Esperança para ele era ação, era verbo. Esperançar! Tinha alma de artista e, como todo amante da arte, era dono de um espírito livre. Mesmo consciente da falência do corpo humano, nunca aceitou essa imposição da natureza. Viveu de forma visceral e intensa cada minuto que esteve neste plano. Espíritos livres não cabem em gaiolas, escapam como feixes de luz pelos vãos estreitos.

Pelezinho fez da música, vida! Do corpo, dança! Dos amigos, abrigo!

Conheceu bem o sentido da frase “amigo é casa”. Como um pássaro pousou em vários galhos-abrigos e em todos sentiu o aconchego da amizade sincera. Foi migrando entre galhos-amigos que se descobriu Rouxinol. Com seu canto melodioso passeou por entre notas, letras e estilos, mas decidiu fazer abrigo no samba-pagode, pagode-samba. Talvez, ele não tivesse consciência de onde vinha essa ligação tão forte com o pandeiro, recoreco, rebolo ou tamborim. Ouso chamar essa efêmera relação de ancestralidade.

Pelezinho fez do canto, grito! Do sonho, razão de viver! Da vida, passagem!

Desistir... Desanimar... Desabar... Palavras que não estiveram em suas composições, tampouco se materializaram em sua existência, preferia viver entre letras diversas. Inspirou-se nas palavras: Sonho... Luta... Esperança.... Elas se fizeram presentes até o último sopro-canto do Rouxinol. Pelezinho cruzou o portal. Deu início a novos cantos, encontrou outros galhos-amigos, fez morada em outras árvores. Para quem ainda está do lado de cá, deixou sorrisos, memórias, canções. Também deixou muitas lições, mas a maior delas foi “você é do tamanho dos seus sonhos”. Essa foi a árvore por ele plantada!

Jeférson Tavares tinha 30 anos, ficou conhecido no meio musical como Pelezinho. Era vocalista do Grupo Muleke Atrevido.

Mestra em Educação, Patrícia Alves Santos Oliveira era amiga pessoal de Pelezinho e lhe escreveu a homenagem