DOBRADINHA

Neles no palanque, Argemiro nos bastidores

por Da redação

22 de Agosto de 2026, 11h04

None
Divulgação

Candidato prega renovação como bandeira, mas articulação da campanha passa por um dos nomes mais longevos da política de cargos em Rondonópolis


No palanque, o discurso é de ruptura. Neles Farias, candidato do Partido Novo, apresenta-se ao eleitor de Rondonópolis como a antítese da política tradicional: fim das indicações, fim do aparelhamento, fim das carreiras construídas dentro da máquina pública. É a promessa fundadora da sigla, repetida em todos os palanques do país.
Nos bastidores, porém, a campanha conta com uma figura que dificilmente se encaixa nesse figurino. Quem circula pela articulação da candidatura é o Capitão Argemiro Argemiro José Ferreira de Souza, um dos mais longevos ocupantes de cargos de confiança da história recente do município.

O currículo dispensa apresentações para quem acompanha a política rondonopolitana. Secretário municipal do ex-prefeito Zé Carlos do Pátio já em 2011, Argemiro atravessou gestões de diferentes partidos sempre por indicação política: comandou as pastas de Transporte e Trânsito, Infraestrutura e Gestão de Pessoas, atuou em campanha de ex-prefeito e, em 2019, foi indicado por Pátio para a presidência da CODER.

Foi à frente da estatal que sua trajetória produziu os capítulos mais controversos. Deixou o cargo em 2023, após desgaste público com o próprio prefeito que o indicou. Antes disso, um jornalista havia desistido publicamente de assumir a comunicação da companhia, relatando tratamento discriminatório por parte do então presidente. De volta ao comando da CODER no início da atual gestão, foi exonerado pelo prefeito Cláudio Ferreira em junho de 2025, em meio à insatisfação com a condução administrativa da empresa que atravessa grave crise financeira, com dívidas que, segundo estimativas divulgadas pela imprensa à época, poderiam ultrapassar R$ 250 milhões, acumuladas ao longo de anos e de sucessivas gestões marcadas pelo uso político da máquina.

É essa a dobradinha que sustenta o momento da candidatura: de um lado, o discurso da novidade; de outro, a experiência de quem viveu quinze anos exatamente daquilo que o partido diz combater.

A contradição não é detalhe de bastidor. O eleitor do Novo vota, antes de tudo, numa promessa de método. Se a articulação da candidatura passa por quem construiu carreira inteira em cargos de indicação, cabe ao eleitor a pergunta que o discurso do palanque não responde: o que sobra da renovação?