MESMA DUPLA
Justiça manda tirar do ar vídeos da Nexa Influence contra José Medeiros
22 de Setembro de 2026, 05h48
TRE-MT concede liminar contra Ricardo Ribeiro da Silva e Juliana Pereira Guimarães, os mesmos empresários alvos de operação da Polícia Civil em maio; agora, mira é conteúdo contra candidato ao Senado
A Justiça Eleitoral de Mato Grosso determinou a retirada do ar de dois vídeos publicados no Instagram que atingiam o candidato ao Senado José Antônio dos Santos Medeiros e seus familiares. A decisão foi assinada nesta segunda-feira (21) pela juíza auxiliar da Propaganda do TRE-MT, Glenda Moreira Borges, que concedeu parcialmente a tutela de urgência pedida na Representação nº 0601516-83.2026.6.11.0000.
Os responsáveis pelas publicações são velhos conhecidos das investigações sobre ataques virtuais no estado. Ricardo Ribeiro da Silva e Juliana Pereira Guimarães, apontados como administradores da página Nexa Influence, foram os alvos centrais da Operação Stop Hate, deflagrada pela Polícia Civil em 20 de maio deste ano, em Rondonópolis, para apurar crimes de perseguição (stalking), calúnia, difamação e injúria qualificada praticados por meio das redes sociais.
Naquela ação, conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), foram cumpridos três mandados de busca e apreensão domiciliar e duas medidas cautelares, expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias — Polo Cuiabá. Celulares, computadores e mídias digitais foram apreendidos para perícia. Entre as vítimas dos ataques disseminados pela página estavam autoridades como o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Max Russi, e o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira. As investigações apontaram ainda a falsa imputação do crime de homicídio a um secretário municipal e acusações de corrupção, sem comprovação, contra integrantes do Executivo local.
Agora, a mesma dupla volta ao noticiário desta vez, na esfera eleitoral. Segundo a representação no TRE-MT, a primeira publicação, veiculada em colaboração entre os perfis dos dois, afirmava que a esposa do candidato ao Senado ocuparia "dois cargos públicos" um no Senado Federal e outro na Prefeitura de Rondonópolis, com remuneração superior a R$ 16 mil, e associava o candidato a termos como "corrupto", conclamando os eleitores a "trazer gente nova para governar".
Ao analisar os documentos, a magistrada entendeu, em exame preliminar, que a afirmação de acúmulo de cargos estava apta a transmitir percepção distinta da realidade. De acordo com a decisão, Ruth Shizue Yamamoto Medeiros mantém vínculo efetivo com o município de Rondonópolis desde 2002, e sua atuação no Senado decorre de cessão formalizada em 2019, com ônus para o órgão de origem informação omitida no conteúdo.
O segundo vídeo, atribuído ao perfil de Ricardo Ribeiro da Silva, afirmava que a família do candidato estaria "toda pendurada na prefeitura de Rondonópolis", com menção a esposa, tio e avô, e que faltaria dinheiro público porque estariam "lambendo tudo". A juíza destacou que não foram apresentados elementos que identificassem esses parentes, os respectivos cargos ou atos de nomeação.