SANTA CASA
Discurso de Pátio repercute e movimento pró-recuperação responde
Integrantes do S.O.S Santa Casa contestam regularidade nos repasses e cobram diálogo junto ao prefeito
23 de Janeiro de 2020, 10h18
Integrantes do movimento S.O.S Santa Casa, que atua junto a um plano de recuperação financeira do hospital filantrópico, se manifestaram sobre a declaração dada nesta semana à imprensa pelo prefeito de Rondonópolis, José Carlos do Pátio. A polêmica em torno do atraso nos repasses de emendas federais esquento os ânimos. Nas palavras do prefeito, trata-se de ‘um saco sem fundo”.
Tania Balbinotti e Bianca Dartagnan, integrantes do movimento S.O.S Santa Casa, concederam entrevista ontem (22) ao programa SBT Comunidade, da TV Rondon, afiliada do SBT em Rondonópolis. “A gente acaba se chocando. Mas desde o início a atitude dele (prefeito) tem sido essa. Ele tem se recusado a discutir a situação. Em outubro houve uma reunião e não havia ninguém da Prefeitura lá, além de outras tentas reuniões”, rebateu Tânia.
“Ele está desinformado sobre o plano de recuperação, sobre as negociações com os médicos e o porquê nós conseguimos trazer essas emendas [parlamentares]. O prefeito é o líder maior da cidade, ele precisa estar por dentro da situação, principalmente neste tema tão sério”, continuou. “A postura do prefeito ao ter falado em má gestão... nossa gestão abriu as portas da Santa Casa. Muito se falava de saco sem fundo, caixa preta e nós abrimos as portas. Agora nessa nossa roda de conversas está faltando o prefeito, e ele sabe. Precisamos ser responsáveis e sentar juntos para dialogar. Este argumento de má gestão não cabe mais”.
Sobre as emendas parlamentares, ao contrário do que disse Pátio em entrevista, há, ainda, segundo o S.O.S Santa Casa, recursos atrasados. “Ainda tem dinheiro em atraso, sim, emendas parlamentares. Uma de R$548 mi, outra R$ 210 mil e uma UTI referente a setembro de R$ 691 mil”, explicou Bianca.
A declaração
Em sua mais recente entrevista sobre os repasses -feitos e não- para a Santa Casa de Rondonópolis, o prefeito José Carlos do Pátio, enfim, deixou de lado a habitual diplomacia. Na semana em que o hospital filantrópico, mais uma vez, foi destaque no noticiário devido à crise financeira, o gestor municipal tornou a contestar o que chamou de “saco sem fundo”.
Pátio reafirmou, desta vez em tom mais incisivo, que o problema da Santa Casa de Rondonópolis não está na falta de repasse, mas, sim, na falta de gestão. “Se fizermos um cálculo, entre verbas federais, estaduais e do município, com o que foi repassado dá para comprar 1,8 mil Gol (carro) 0km por ano. O problema da Santa Casa é um problema de gestão e não estou vendo nenhum dos Poderes constituídos tomarem posição quanto a isso”, criticou o prefeito.
Aos veículos de imprensa, o prefeito frisou os adiantamentos financeiros feitos pela Prefeitura ao hospital filantrópico. “Estamos tentando construir uma pauta positiva para a Santa Casa. Somente em dezembro foram repassados R$ 27 milhões”, afirmou. “A Santa Casa vai continuar assim? Um saco sem fundo? E nós repassando dinheiro e ela nunca conseguindo se estruturar?”, questionou.
A entrevista foi postada em vídeo na página oficial da Prefeitura de Rondonópolis em uma rede social.
Emendas parlamentares
Como noticiado pela reportagem do GazetaMT, a Santa Casa de Rondonópolis ainda aguarda o recebimento de pouco mais de R$ 5,4 milhões -nas contas da Prefeitura. Os recursos são oriundos de emendas parlamentares federais destinadas à unidade de Saúde.
No montante, estão emendas destinadas pela bancada mato-grossense em Brasília. Os valores ultrapassam a casa dos R$10,4 milhões. Em 2019, a Prefeitura chegou a antecipar um repasse de R$ 5 milhões aos cofres do hospital.
À reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde informou na ocasião que aguardava a abertura do orçamento para repassar os R$ 5,4 milhões restantes para a Santa Casa.
"Como a Prefeitura já havia adiantado R$ 5 milhões como forma de colaborar para que o hospital continuasse funcionando, o restante do valor a ser repassado vai totalizar o valor da emenda parlamentar de R$ 10,4 mi, emenda essa liberada e enviada ao município já em 2020" disse o órgão em nota.
Mais enfático
Ainda na entrevista, Pátio criticou a possibilidade de fechamento dos setores de ginecologia e obstetrícia, anunciada pela própria Santa Casa na semana passada. O motivo, alega a unidade de Saúde, é a falta de profissionais médicos para atender os plantões da unidade hospitalar. Segundo informado, a atual equipe é insuficiente para prestar atendimento no regime de plantões no hospital e, por isso, o serviço está prejudicado. Os poucos médicos atuantes, informa a Santa Casa, estão expostos ao cansaço.
“Vão parar (o serviço) por quê? Porque repassamos R$ 27 milhões!? Vamos abrir o debate. Hoje o povo está sofrendo, a gente dando dinheiro e a Santa Casa não cumprindo (sua parte). A sociedade precisa ter clareza disso” rebateu Pátio.