EM QUEDA

Estoques elevados mantêm pressão sobre o mercado de lácteos

Segundo as análises do CEPEA, o movimento de baixa no campo está diretamente ligado aos estoques elevados, tendência que deve se manter em dezembro

por da Redação

23 de Janeiro de 2026, 15h43

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Divulgação

O mercado de lácteos encerrou 2025 sob forte pressão de preços no campo e nos derivados, influenciado principalmente pelos estoques elevados ao longo do ano. Em novembro, o preço do leite captado caiu pelo oitavo mês consecutivo, fechando em R$ 2,1122 por litro na Média Brasil, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – CEPEA Esalq/USP.

O valor representa retração de 8,31% em relação a outubro de 2025 e queda de 23,3% frente a novembro de 2024, em termos reais, com valores deflacionados pelo IPCA de novembro de 2025. Com esse resultado, a desvalorização real acumulada no ano chegou a 21,2%. Segundo as análises do CEPEA, o movimento de baixa no campo está diretamente ligado aos estoques elevados, tendência que deve se manter em dezembro.

Derivados lácteos

A pressão também se refletiu nos preços dos derivados lácteos. Pesquisas realizadas pelo CEPEA, com apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), indicam que os valores seguiram em queda ao longo de dezembro, com as médias atingindo os menores patamares de 2025. O comportamento confirma um cenário de enfraquecimento do mercado ao longo do segundo semestre, marcado por maior oferta e dificuldade de escoamento.

Comércio exterior

No comércio exterior, o déficit da balança comercial de lácteos apresentou redução de 10% em dezembro. As exportações brasileiras cresceram 4,53% de novembro para dezembro, somando 5,16 milhões de litros em equivalente leite. No mesmo período, as importações recuaram 9,61%, totalizando 165,4 milhões de litros em equivalente leite. Na comparação com dezembro de 2024, tanto os embarques quanto as compras externas registraram queda, de 8,41% e 17,5%, respectivamente.

Custos

Em relação aos custos, a pecuária leiteira encerrou 2025 com alívio no curto prazo, mas ainda acumulando alta no ano. O Custo Operacional Efetivo (COE) fechou dezembro em queda, porém registrou elevação acumulada de 0,5% na Média Brasil. Entre as regiões analisadas pelo Cepea, São Paulo se destacou com aumento de 4,57% no COE entre janeiro e dezembro de 2025, evidenciando diferenças regionais no comportamento dos custos de produção ao longo do ano.