Novato na janela
Destaque no Senado, Medeiros diz que país precisa de rumo e nega candidatura em 2016
Ele tem usado constantemente a tribuna do Senado e marcado posição como político de oposição ao Governo Federal
23 de Outubro de 2015, 12h23
O senador rondonopolitano José Medeiros (PPS) tem se destacado em seu primeiro ano de mandato e já foi escolhido um dos políticos mais atuantes do país, de acordo com o site Congresso em Foco. Ele tem usado constantemente a tribuna do Senado e marcado posição como político de oposição ao Governo Federal e defendendo os interesses do estado.
Para ele, que apesar de ser novato em Brasília, já é afeito ao meio político, sendo dirigente do PPS há vários anos, o país atravessa uma crise política e financeira, ficando como que em uma encruzilhada, em que precisa definir um pauta para a retomada da normalidade administrativa e política.
"Chegamos em um momento crucial, em que a sociedade ficou com uma grande expectativa no período pós-eleitoral, mas havia um passivo muito grande e a economia estava em frangalhos, precisando de um ajuste. Nesse momento, vem a notícia do arrocho e gerou uma frustração. Com isso, a presidente (Dilma Rousseff) perdeu as ruas. Aí vem a lei da savana, ou seja: todo animal frágil atrai os predadores e isso gerou a crise política, todos os grupos começaram a ver uma presidente frágil e começaram a atacar a presidente", afirmou, referindo-se ao momento político do país, em que a oposição tenta a todo custo tirar a presidente do poder.
Para ele, com isso, forma-se o cenário ideal para que uma crise se instale no país, como de fato ocorre. "Isso parou praticamente o país e vem a discussão: tira a presidente, fica a presidente. Para se votar o impeachment é preciso do ingrediente político e o jurídico. O político já havia há muito tempo. Aí veio a reprovação das contas dela pelo TCU, o que a meu ver nem é motivo suficiente. A meu ver o que realmente pega ela é a suplementação orçamentária sem a autorização do Congresso, o que caracteriza crime de responsabilidade. A pergunta que fica no ar é: depois de reunidas as condições necessárias para um impeachment, é interessante para o Brasil? Resolve o problema tirar a presidente? Entendo que o grande problema do país é a crise financeira", disse Medeiros.
No seu entendimento, um dos elementos que contribuem para a perpetuação do clima de crise que se instalou no país é falta de uma forte liderança que unifique a direita e esquerda em nome de um projeto de país, como foi o caso do ex-presidente Itamar Franco, que sucedeu o também ex-presidente Fernando Collor, quando de sua cassação.
"Essa é uma crise totalmente nossa. Houve uma crise em 2008, com a explosão da bolha financeira americana, que não nos atingiu. Mas havia que ser feita a lição de casa, o que não foi feito. Agimos como aquele sujeito que gasta o seu limite, como se a fatura não fosse chegar. Em 2014, os gastos, principalmente na questão social, foram altos e não tínhamos caixa para isso. O governo fez isso para aquecer a economia, mas isso não aconteceu. Como consequência, o que se discute não é se a presidente cai ou não. É quando", avalia.
Uma das principais vozes que se levantou contra o 'calote' dado nos governos estaduais pelo governo federal com o atraso nos repasses das parcelas do Auxílio Financeiro para Fomento às Exportações (FEX), Medeiros mostrou habilidade e capacidade de articulação ao encampar a luta, que já deu resultados, com o repasse da primeira parcela do dinheiro ao estado. "Essa (FEX) é uma gambiarra que foi feita para compensar estados que perdem com a exportação e essa Lei Kandir é danosa para o Mato Grosso, que perde muita arrecadação com isso e essa ajuda não repõe as nossas perdas. Quando eu cheguei em Brasília se dizia que o governo tinha dado o calote. Aí ameaçamos parar de votar projetos do governo e hoje está resolvido em parte e já foi liberada a primeira parcela. Essa foi uma luta de todos os parlamentares".
Emendas parlamentares
Crítico das chamadas emendas parlamentares, recursos conseguidos por senadores e deputados por meio de pressão política, Medeiros considera que as mesmas são uma distorção e não representam a essência do trabalho parlamentar, que é criar e mudar leis em benefício da sociedade. "O mandato de um senador não beneficia só um município, como é o caso do FEX, que beneficia todo o estado. Isso é mais amplo do que conseguir aprovar uma emenda ou outra. Parlamentares sofrem com o fato de as pessoas confundirem o trabalho do Legislativo e do Executivo, pois na verdade quem tem que correr atrás de recursos é o prefeito, o governador", declarou.
"Não é o parlamentar que tem que fazer isso. Eu sempre defendi que emendas parlamentares tinham que ser varridas do sistema, pois leva o parlamentar a agir como despachante dos prefeitos em Brasília. Isso nos limita, pois o nosso foco deveria ser a Legislação do país, em pensar o país em termos de legislação. Ao invés disso, o bom parlamentar é aquele que consegue mais emendas. Sem fazer aqui nenhum julgamento de valor, os parlamentares mais votados são aqueles que conseguem mais emendas e são, quase sempre, os que estão envolvidos em corrupção", disparou.
Ainda assim, o senador diz ter destinado R$ 9 milhões em emendas para Rondonópolis que estarão no Orçamento de 2016.
Uma outra luta do senador é pela implantação de um polo educacional na cidade, que é polo de uma região com cerca de 500 mil habitantes. "Uma das minhas atuais lutas é pela emancipação da UFMT. Para se ter uma ideia, o estado de Mato Grosso do Sul é estado mais novo que o nosso e já tem duas universidades federais. Grande parte dos nossos jovens vão estudar em outros estados e ficam por lá. Essa é uma luta que tenho encampado, junto com a luta por destravar recursos junto aos ministérios, como a questão do nosso aeroporto", emendou.
Futuro político
Como uma figura ascendente da política estadual, Medeiros é um dos nomes constantemente cogitados como possível candidato a prefeito em 2016, mas ele se esquiva da responsabilidade e se diz focado em exercer bem seu mandato de senador. "É muito bom para mim, que veio do Nordeste em cima de um caminhão, ver seu nome cogitado a prefeito da cidade. Mas estou focado no mandato e estou substituindo um sujeito que é uma figura nacional e muito respeitado, muito emblemática, e não quero passar vergonha. Esse é um grande desafio e sinto que tenho conseguido representar bem o nosso estado".
Para ele, o fato de ter seu nome relacionado entre os possíveis 'prefeitáveis' é sinal de que seu desempenho na capital federal tem sido satisfatório e que o mesmo não pretende se afastar do cargo para se candidatar a nenhum cargo. "Houve um reconhecimento de meu trabalho e estou muito contente com isso. Quero melhorar a atuação e se isso vai redundar em outras avaliações positivas, melhor, mas eu e minha equipe estamos focados em trabalhar em prol do estado. Como vim de uma suplência, o trabalho ali tem que ser o melhor possível. Não vou fazer traquinagem para me capitalizar e como as eleições estão muito caras, acho difícil me eleger. Mas quero dizer agora para as pessoas que não estou preocupado com questão partidária e eleitoral", concluiu.
O senador José Medeiros é patrulheiro da Polícia Rodoviária Federal e desde o início de 2015 assumiu a vaga deixada no Senado pelo agora governador Pedro Taques (PDT), de quem era primeiro suplente.