Pressa
Câmara realizará sessão extra na segunda-feira para votar mudança na Lei Orgânica
Vereadores devem dar decisão final sobre projeto que autoriza venda de bens do município por prefeitos em fim de mandato.
23 de Novembro de 2012, 21h33

A Câmara Municipal vai se reunir extraordinariamente na próxima segunda-feira (26) para realizar a segunda e decisiva votação do projeto de emenda supressiva que libera a venda de bens públicos por prefeitos em fim de mandato. A sessão foi convocada na tarde desta sexta-feira (23) e não será precedida de uma audiência pública, como chegou a ser aventado inicialmente.
O projeto é polêmico já que pretende suprimir o quinto parágrafo do artigo 148 da Lei Orgânica, que foi promulgada em 1997 e é uma espécie de 'Constituição Municipal'. O parágrafo em questão impede que, nos últimos seis meses do mandato, os prefeitos alienem bens do patrimônio público sob qualquer forma.
Segundo o presidente da Câmara Municipal, Hélio Pichioni (PR), apesar da ausência da discussão com a sociedade, os vereadores já poderão contar na segunda-feira com os pareceres da Procuradoria Jurídica da Prefeitura e também da assessoria jurídica do Legislativo Municipal.
A ausência de uma avaliação jurídica foi criticada na última sessão ordinária e acabou motivando a aprovação de um pedido de vistas feito pelo vereador Mohamed Zaher (PSD). Zaher alega que a decisão pode abrir brechas perigosas e favorecer a dilapidação do patrimônio público.
O prazo dado para que Zaher pudesse estudar melhor o projeto termina exatamente na próxima segunda-feira, e o presidente da Câmara admitiu que a 'celeridade' na convocação da sessão atende a um pedido feito pelo prefeito Ananias Filho (PR) - que também é o autor da solicitação de mudança na Lei Orgânica.
A justificativa apresentada é que a Prefeitura precisa do fim da proibição para finalizar transações envolvendo a aquisição de uma creche e a formalização do residencial Alfredo de Castro. Porém, além das dúvidas sobre se esse tipo de transação é realmente proibido, há a preocupação quanto ao alcance da mudança no texto da Lei Orgânica.
"Os pareceres jurídicos vão ajudar a esclarecer tudo isso. Sempre há polêmica, mas vamos discutir e resolver. O Plenário (conjunto de vereadores) é soberano para aprovar ou não", ressalta Pichioni.
Para mudar o texto da Lei Orgânica são necessários os votos de pelo menos dois terços da Casa - o que na composição atual representa oito vereadores.
Como se trata de uma convocação extraordinária, a sessão de segunda-feira não deverá ter transmissão ao vivo pela TV. Mas ela é aberta ao público, que poderá acompanhar o trabalho dos vereadores a partir das 14 horas na sede da Câmara Municipal.