CAOS NA SAÚDE
Contra a gestão do Regional, Pátio entrou na briga. E acabou escanteado!
23 de Novembro de 2018, 08h51
Nobre foi a atitude do prefeito de Rondonópolis, José Carlos do Pátio, em intervir no caso do Hospital Regional do município. Sem meias palavras, chamou de "caso de polícia" a gestão do instituto Gerir -que administra a unidade de Saúde- e solicitou a compra, via município, de medicamentos sem licitação, para impedir que os serviços paralisassem de vez. O que o prefeito não contava, talvez, é que pouco tempo depois fosse ser escanteado por quem acabara de defender a pulso firme: o Governo do Estado.
Para contextualizar...
Com casos de médicos paralisados, falta de medicamentos e graves problemas estruturais, o Hospital Regional foi aos poucos perdendo sua capacidade de atendimento e prestação de serviço à população. Atualmente, a unidade de Saúde passa por reforma e a expectativa é a de retomar a qualidade do serviço.
O caso é que, neste meio tempo, Pátio disse ter solicitado informações à diretoria do Gerir. Sem resposta, teceu duras acusações e acionou, inclusive, o Ministério Público do Estado - MPE. O Governo do Estado, responsável financeiro pela manutenção do Hospital, teria, na defesa do prefeito, repassado parte dos valores devidos à empresa. Em resposta, o Gerir emitiu nota desmentindo a Secretaria Estadual de Saúde -SES.
Outro ponto se refere aos valores devidos. A SES fala em algo em torno de R$ 5 milhões, o Gerir triplicava o valor do montante. "O Instituto Gerir destaca ainda que o Governo do Estado deve R$ 15 milhões em repasses atrasados para o Hospital Regional de Rondonópolis", disse o próprio. Até aqui, um verdadeiro caos instalado. Por isso, a justificável ira do prefeito de Rondonópolis que, em entrevista nas dependências do próprio hospital, sugeriu o bloqueio das contas.
Mas...
Misteriosamente -ou nem tanto- a coisa mudou. O cenário é outro. Ontem, 22, lado a lado, representantes do Gerir e da SES falaram à imprensa, num clima ameno típico de primavera. Nada do caos acima narrado parecia ter realmente acontecido. Anunciaram não só a manutenção como a prorrogação do contrato. Sobre o repasse, segundo a SES, ainda em débito apenas a parcela referente ao mês corrente, de R$5,4 milhões.
Desta vez o Gerir não triplicou. Uma coletiva de imprensa com tudo às mil maravilhas. Simples assim.
Nesta mudança de clima, ficou ruim para o prefeito. Saiu em defesa do Estado contra o Gerir. Este, por sua vez, saiu em defesa do próprio Gerir. Que bagunça.
Por sinal, Pátio marcou outra coletiva de imprensa, quase no mesmo horário, e passou bem longe do Hospital Regional.
Sempre assim...
Não é a primeira vez que Pátio passa por tal situação. O mesmo aconteceu com a Santa Casa de Rondonópolis, que há pouco fechou por mais de 50 dias as portas de sua UTI pediátrica.
O trâmite é sempre o mesmo: Unidade de Saúde diz que o Estado não paga. O Estado diz que pagou. Cada um fala em um valor. Começam as brigas. Vira barraco público. Se reúnem às portas fechadas. Logo após e de cara lavada tentam fazer a imprensa engolir que tudo se acertou. Casal recém-reatado.
Histórias mal-contadas, onde imprensa e população ficam sem respostas. Assunto, porém, assunto para uma outra oportunidade.
Em tempo: Onde há fumaça, há fogo!