INCONSCIÊNCIA

Terras públicas e áreas protegidas somam somam mais de 40% do desmatamento na Amazônia

Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia faz análise dos dados de desmatamento divulgados nesta semana

por Da redação com G1

23 de Novembro de 2019, 12h00

Terras públicas e áreas protegidas somam somam mais de 40% do desmatamento na Amazônia
Terras públicas e áreas protegidas somam somam mais de 40% do desmatamento na Amazônia

Foto: Reprodução

Terras públicas e áreas protegidas correspondem a 41% do total desmatado entre agosto de 2018 e julho de 2019, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), analisados pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). Os dados fazem parte do sistema Prodes, que monitora a perda de floresta na Amazônia Legal. Esses são os números oficiais utilizados pelo governo federal.

As terras da União e dos estados somam 27% da devastação no período. Já as áreas protegidas, que deveriam ter desmatamento zero, correspondem a 14% da área degradada: 5% em unidades de conservação; 4% em terras indígenas e 5% em áreas de proteção ambiental.

Terras que são alvo de grilagem somam 36% de todo o desmatamento do período. O número se refere às terras da União e dos estados (que somam 27%) e às terras "sem informação" (que representam 9%), de acordo com os institutos.

A grilagem é a ocupação ilegal, geralmente para uso econômico e dos recursos naturais. A atividade ocorre nas chamadas "terras sem destinação". Essas terras pertencem à União ou aos estados, ou ainda são áreas sobre as quais não consta oficialmente a informação sobre o proprietário.

Historicamente, as terras da União e dos estados estão mais vulneráveis devido ao caos fundiário que se instalou na Amazônia. Nas décadas de 60 e 70, incentivados pelo governo militar, brasileiros de diferentes regiões foram para o Norte ocupar a área.

As terras indígenas são o tipo de área que menos foi desmatada: 42.985 hectares, o que corresponde a 4% dos 1.032.530 hectares (equivalente a 10,3 mil km²) perdidos no bioma no período.

Em seguida, temos as Áreas de Proteção Ambiental (APA), com 48.599 e 5%, as Unidades de Conservação federais e estaduais, com 51.417 hectares, ou também 5%. Os números são um pouco maiores do que os divulgados no início da semana pois fazem parte dos dados brutos do sistema, ainda sem o processamento feito pelo Inpe. O Ipam diz, no entanto, que as proporções permanecem as mesmas.

Os dados de desmatamento da Amazônia mostram uma alta de 30% em relação ao mesmo período anterior (agosto de 2017 a julho de 2018). O Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) é considerado o mais preciso para medir as taxas anuais. Ele é diferente do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que mostra os alertas mensais e já sinalizava tendência de aumento.