OPINIÃO

Black Friday: desafios para reforçar a segurança digital nas compras online

por Caio Bregonde

23 de Novembro de 2023, 09h50

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Divulgação

No mundo digital em que vivemos, o avanço da tecnologia tem trazido inúmeros benefícios a toda a sociedade. No entanto, essa modernidade traz consigo alguns problemas e inseguranças em relação à privacidade de dados dos usuários.

A Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) revelou, por meio de um estudo, que um a cada três brasileiros já sofreu alguma fraude ao realizar uma compra online, relacionada a vazamento de dados. E sobretudo no período da Black Friday, as ações dos criminosos se tornam ainda mais incisivas, já que nessa temporada há um aumento significativo das transações online. Para se ter uma ideia, a Adyen, empresa de pagamentos holandesa, revelou que 36% dos profissionais do varejo notaram um aumento nas investidas de fraudes no Brasil durante a Black Friday, em 2022.

Nas lojas físicas, as fraudes se caracterizam pela transação de valores maiores que o valor do produto por parte do vendedor, ou ainda pela troca de plástico (cartão), para um cartão inexistente. Sendo assim, o golpista fica com o cartão do cliente utilizando para fazer transações via contactless - ou seja, aproximando o cartão da maquininha, ou acessando a senha do cartão para utilização do limite em maquinetas coniventes.

Porém, é no ambiente virtual que os criminosos veem um prato cheio. No e-commerce, um dos desafios mais difíceis de lidar consiste na cópia de lojas virtuais. É comum que os ladrões de dados criem e coloquem no ar um site muitíssimo parecido, quase idêntico ao de uma empresa real, e se aproveitem justamente do período da Black Friday para simular ofertas, que no geral são bastante atraentes para chamar a atenção dos consumidores.

Além disso, é relevante destacar que outra fonte de transtornos para lojistas e clientes são os ataques de phishing. Seja via e-mail ou telefone, o intuito é só um: capturar informações confidenciais como senhas e número de cartões de crédito, de forma ilegal, com mensagens persuasivas que parecem vir de uma fonte confiável.

Nesse sentido, a melhor forma de lidar com esse cenário é redobrar a atenção ao site onde a compra será realizada, desconfiar da oferta de produtos com discrepância de valores, e avaliar a chave de domínio do site – atente-se para aqueles que apresentam erros de design e digitação. Além disso, é essencial optar por formas de pagamento mais seguras. Ao contrário do que se pensa, o cartão de crédito é o meio mais seguro para realizar transações virtuais. Isso porque existe o processo que chamamos de chargeback, onde, ao acionar a bandeira do cartão, é possível obter suporte da rede, para a repartição dos valores. Ou seja, se comprovada a fraude, a instituição financeira oferece meios para que o cliente faça o cancelamento da compra.

Também é indispensável checar as certificações das lojas virtuais. Os sites costumam utilizar essa tecnologia para garantir a proteção das informações fornecidas pelo cliente. Portanto, observar se a página apresenta selos de seguranças e certificações digitais, também serve como reforço para a segurança.

Certamente as Companhias devem adotar a segurança cibernética como parte das estratégias da marca, oferecendo mecanismos que garantam maior proteção em caso de perdas. No entanto, cabe aos consumidores, tomar medidas de segurança adequadas atentando-se a elementos suspeitos para evitar cair em golpes ao realizar compras, online ou presenciais.

*Caio Bregonde é gerente sênior de Prevenção a Fraudes e Segurança da Informação da DM