Discutindo em Brasilia

Governador destaca que alongamento da dívida trava investimentos em MT

Taques discutiu o projeto com outros governadores e representantes da Câmara Federal em Brasília

por GazetaMT

23 de Março de 2016, 14h00

Governador destaca que alongamento da dívida trava investimentos em MT
Governador destaca que alongamento da dívida trava investimentos em MT

O governador Pedro Taques afirmou nesta terça-feira (22.03) que o alongamento da dívida de Mato Grosso por mais 10 anos trava os investimentos necessários para garantir o crescimento do Estado. O projeto do governo federal foi discutido pelos governadores, deputados federais em Brasília e representantes do Ministério da Fazenda.

Taques destaca que o projeto, na forma em que foi apresentado, não é benéfico para o Estado por conta das condições que serão impostas pela União para a concessão do benefício. Uma delas é a impossibilidade de contrair empréstimos novos para fazer investimentos.

O secretário do Gabinete de Assuntos Estratégicos, Gustavo Oliveira, ressaltou que os estados têm realidades distintas e que a proposta da União não traz um impacto linear, sendo mais benéfica aos grandes devedores. "A análise preliminar que nós fazemos é que sim, pode ser uma boa proposta, principalmente para os estados mais endividados com a União, mas ela por si só não é suficiente para resolver o problema de caixa nos estados e nem o problema de desenvolvimento no país", disse.

Segundo ele, a equipe econômica do Governo do Estado vai primeiro tentar compreender o texto da proposta para fazer a interpretação de qual o impacto para Mato Grosso e depois disso deliberar de maneira autônoma se o Estado deve ou não aderir.

"Embora seja uma proposta válida, ela não atende ao interesse de todos os estados, as contrapartidas são muito severas para muitos dos estados e também temos o entendimento que é preciso pensar com responsabilidade. Não podemos resolver um problema de curto prazo e criar um problema gigantesco a médio e longo prazo. Análises preliminares da Secretária de Fazenda mostram que aderir a este pacote de repactuação da dívida poderia ter um impacto muito grande, aumentando em até três vezes o endividamento total do Estado ao longo do tempo e comprometendo 20 anos de pagamento", comentou.

Gustavo destacou que se houver espaço, o Governo do Estado deve enviar sugestões ao Congresso Nacional para alterar o texto principal, mas se o texto for mantido o Estado vai poder escolher se adere ou não. "A previsão é que na próxima terça-feira (29.03) este pacote seja apreciado em plenário e nós tenhamos um desenho de como será esta renegociação. Segundo o Ministério da Fazenda, o prazo para implementar as medidas será de quatro a cinco meses", afirmou.

Pela proposta apresentada pelo governo federal haverá a redução de 40% na prestação, por 24 meses, limitado a R$ 160 milhões por mês (R$ 1,92 bilhão por ano). Com impacto de 3,5 bilhões nos seis últimos meses de 2016; R$ 7,2 bi, em 2017 e R$ 3,9 milhões nos seis primeiros meses de 2018. Após o período em que será concedido desconto nas prestações, o estado terá mais 20 anos para pagar o saldo devedor.

Defensor da proposta apresentada pela União, o líder do governo na Câmara Federal, deputado José Guimarães, afirmou que o projeto demonstra um grande avanço e que além de melhorar o fluxo de caixa dos estados não vai gerar grande impacto financeiro para o Governo Federal.

"Temos que comemorar este grande acordo republicano que fortalece o pacto federativo. Tudo isso foi ressaltado pelos governadores. Eles estão de acordo, chancelaram de forma impressa para que todos sejam beneficiados com este grande acordo pela federação. Essa dívida é um acumulo desde 1997. Vem de longe. Fortalece a todos, não tem prejuízo para a união. É bom para que os estados tomem mais folego para tomarem medidas que ajudem a economia brasileira", defendeu.

Impacto

Para adesão dos Estados e do Distrito Federal ao incentivo a União pede a vedação à concessão de vantagem, aumento, reajustes ou adequação de remunerações a qualquer título (exceção constitucional será contemplada); limitação do crescimento das outras despesas correntes, exceto transferências a municípios e Pasep, à variação da inflação e a não concessão de renúncia de receita ou qualquer tipo de benefício fiscal.

O plano também trabalha com a folha salarial dos estados que ficam impedidos de nomear novos servidores (ressalvadas as reposições decorrentes de aposentadoria ou falecimento de servidores nas áreas de educação, saúde e segurança) e também a redução em 10% da despesa mensal dos cargos de livre provimento e nomeação, em comparação com o mês de junho de 2014.

O estado que aderir fica com o compromisso de elaborar uma lei de responsabilidade local; instituição de regime de previdência complementar, compatível com as regras de equilíbrio atuarial (contribuição definida); elevação das alíquotas das contribuições previdenciárias dos servidores e patronal ao regime próprio de previdência social para 14% e 28%, respectivamente; monitoramento fiscal contínuo das contas dos Governos Regionais; adoção de critérios para avaliação pública e periódica de seus programas e projetos; padronização das estatísticas fiscais, a partir das orientações emanadas pelo Governo Federal; e limitação da despesa orçamentária total a 90% da Receita Corrente Líquida (RCL).