VENENO NO RIO VERMELHO
Prefeitura, MPE e Sanear realizarão levantamento e testes da água após pesquisa nacional
Série especial de agência de jornalismo investigativo denunciou presença de 27 agrotóxicos nas águas do rio entre 2014 e 2017
23 de Abril de 2019, 14h09
Em nota, a Prefeitura de Rondonópolis informou que deverá, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, em parceria com o Ministério Público Estadual -MPE e o Sanear, realizar um levantamento de informações e analisar a qualidade da água do Rio Vermelho, após a publicação de uma pesquisa nacional que apontou que 27 tipos de agrotóxicos foram despejados nas águas entre 2014 e 2017. O estudo é parte de uma série de reportagens especiais produzidas por agências nacionais de jornalismo investigativo.
A série se chama "Por trás do alimento" e aponta que 1 em cada 4 cidades do Brasil foram vítimas de um coquetel de diferentes agrotóxicos despejados nos rios entre os anos analisados. "A Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Rondonópolis juntamente com o Ministério Público do Estado já está realizando um levantamento, com coleta de informações sobre a questão apontada pelo estudo, para então definir quais serão as medidas adotadas. Ainda não há definição, pois o estudo foi divulgado recentemente e o órgão municipal nem chegou a ser notificado acerca do problema", informa a Prefeitura de Rondonópolis.
Também à reportagem, o Sanear informa que testes de qualidade da água foram realizados. “O Serviço de Saneamento Ambiental de Rondonópolis – Sanear vem monitorando, como determina a legislação, a água que chega na Estação de Tratamento - ETA e também dos poços artesianos. Segundo a engenheira sanitarista que atua na ETA, Denize Maria Sodré de Oliveira, todos os resultados apresentados, até a presente data, estão dentro dos padrões estabelecidos pela legislação, garantindo a potabilidade e qualidade da água fornecida. O último monitoramento aconteceu em outubro e uma nova análise está em andamento”, disse em nota.
Ainda segundo o Sanear, “para um controle de qualidade da água é necessário o monitoramento de diversos indicadores, entre eles a avaliação dos resíduos de agrotóxicos. No Brasil, vigora a Portaria de Consolidação nº 5, anexo XX, 2017 do Ministério da Saúde, que exige a análise de um conjunto de agrotóxicos, entre outros parâmetros, e os resultados das análises são lançados no programa do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para o Consumo Humano – Sisagua. A partir daí, a Vigilância Sanitária analisa os dados e exerce o papel da vigilância da qualidade da água no âmbito municipal, estadual e federal”, completou.

Além de Rondonópolis, a capital Cuiabá e outras 30 cidades aparecem em detalhe no mapa publicado pelo site da Agência Pública, uma das integrantes da esquipe investigativa.
Outras cidades de Mato Grosso que aparecem na pesquisa: Cáceres, Lucas do Rio Verde, Sorriso, Sinop, Santa Carmen, Claudia, Canarana, Querência, Juara, Tabaporã, Nova Canaã do Norte, Colíder, Matupá, Confresa, Porto Esperidião, Alto Garças, Barra do Garças, Primavera do Leste, Campo Verde, Nova Lacerda, Tangará da Serra, Sapezal, São José do Rio Claro, Nova Mutum, Porto Azevedo e Marcelândia.
A pesquisa e o mapa detalhado estão aqui e aqui.