UMA DENTRO
Medeiros pede a Moro que investigue compras sem licitação de Zé do Pátio
23 de Abril de 2020, 11h23
Depois de emplacar espaço em duas recentes sessões desta coluna por digamos, bolas foras, o deputado federal José Medeiros (Podemos), enfim, parece ter dado uma dentro. Em uma rede social, anunciou a entrega de um ofício ao Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, para que investigue as compras sem licitação feitas pela Prefeitura da Rondonópolis em tempos de pandemia. A aquisição mais recente da gestão José Carlos do Pátio custou aos cofres públicos exatos R$715 mil reais. O produto: papel higiênico.
Desde as primeiras medidas municipais contra a propagação do coronavírus, a Prefeitura alardeou a reserva e realocação de recursos, um total de cerca de R$ 10 milhões. O dinheiro seria, segundo o Poder Executivo, destinado a compra de materiais e equipamentos para equipar a Saúde. Sob o decreto de calamidade pública, é autorizada a compra sem licitação. “R$ 7 milhões serão alocados em 90 itens de materiais hospitalares, bem como a instalação rápida de novos leitos hospitalares/UTIs, destinados ao enfrentamento da emergência de Saúde Pública decorrente no coronavírus (Covid-19)”, informou a prefeitura quando do anúncio da verba.
Chamam a atenção, porém, os gastos. “No último dia 17, enviamos ao ministro um Ofício, citando possíveis superfaturamentos. Moro já anunciou que a Polícia Federal está em alerta total”, disse Medeiros.

Papel higiênico
Zé do Pátio dispensou licitação para gastar R$ 715 mil com rolos de papel higiênico e papel toalha.
O termo de ratificação nº 37/2020 da dispensa de licitação foi publicada no Diário Oficial Eletrônico que circulou no dia 30 de março.
A empresa R Merlin Rocha da Silva, localizada na Avenida Bandeirantes no município de Rondonópolis, vai fornecer todo o material.
Conforme consta no Diário Oficial, o objeto da contratação é a aquisição de papel toalha e papel higiênico que serão utilizados pela Secretaria Municipal de Saúde, destinadas ao enfrentamento da emergência de saúde pública diante dos efeitos do coronavírus.
A contratação foi amparada na lei nº 13.979 aprovada pelo Congresso Nacional e já sancionada pelo presidente da República Jair Bolsonaro que autoriza o poder público a adotar medidas emergenciais para combater a pandemia do coronavírus.
Mais gastos
Outra compra feita por Zé do Pátio com dispensa de licitação que corresponde a R$679.700 e é relacionada a compra de luvas e álcool gel 70%. A empresa fornecedora é a Weiss & Nakayama. No total, essas compras somam R$ 1,394 milhão.
A empresa Mosaico Distribuidora Atacadão e Eletrônicos vai fornecer pelo valor de R$ 597 mil água sanitária, desinfetante, detergente, sabão em pó, sabonete líquido, saco para lixo comum e saco para lixo hospitalar
Também houve a contratação da empresa EPI MT Comercio de Ferramentas e Equipamentos de Proteção pata aquisição de máscaras e respiradores ao preço de R$ 25 mil. Pelo valor de R$ 28 mil, a empresa EPI MT Comercio de Ferramentas e Equipamentos de Proteção para aquisição de óculos incolor, protetor facial, macacão de proteção e respirador ao preço de R$ 28 mil.
Outra empresa identificada como Wesley Prudêncio de Souza vai fornecer limpador de porcelanato, saco lixo, luva vinil, copo 150 ml, sabão em pó, sabonete, detergente, papel toalha, desinfetante, papel higiênico e água sanitária no valor de R$ 22 mil.
Hotel
Também comprado pela Prefeitura de Rondonópolis, um antigo hotel na Avenida Lions Internacional foi transformado no novo hospital municipal da cidade. O imóvel foi comprado pela Prefeitura e deverá, segundo afirma, abrigar 60 leitos como medida preventiva à propagação do coronavírus. O custo, segundo a Pasta: mais de R$ 5 milhões.