Ararath
Bilhete misterioso envolve mais politicos e empresas; Blairo nega irregularidade
O prefeito de Rondonópolis, Percival Muniz (PPS), disse que Operação Ararath 'passará política a limpo'; mas criticou precipitação
23 de Maio de 2014, 12h43
Um bilhete que supostamente foi encontrado pela Polícia Federal em busca feita na residência do ex-secretário de Estado, Eder Moraes, aumentou o rol de suspeitos de envolvimento nas irregularidades investigadas na 'Operação Ararath'. Ele relaciona valores que teriam sido repassados a políticos, autoridades públicas e empresas de Mato Grosso e de outros Estados. O prefeito de Rondonóplis Percival Muniz, um dos citados, mostrou-se surpreso com a inclusão de seu nome e negou qualquer participação nos fatos investigados pela Justiça.
O bilhete escrito à mão (veja ao lado) relaciona empresas como a Rede Cemat, Gemini Construtora, Geosolo, e ainda instituições como o Tribunal de Contas do Estado e o Ministério Público.
O então ministro e hoje governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, também é apontado como responsável pelo monitoramento de órgãos como a Polícia Federal e a Receita Federal, mas não há menção de valores pagos a ele. O mesmo ocorre nas citações atribuídas ao banqueiro Daniel Dantas, ao ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta (já falecido) e também ao banqueiro Alberto Cacciola - que está foragido. Estas citações dão uma ar fantasioso ao bilhete, já que os próprios investigadors consideram pouco provável que Éder Moraes de fato tivesse acesso a estas pessoas.
Entre as autoridades estaduais o maior valor, R$ 12 milhões, surge ao lado da sigla 'BM' que teoricamente se refere ao senador Blairo Maggi (PR). Blairo era governador na época e é apontado como um dos pivôs do esquema investigado pela PF - ao lado do deputado estadual José Riva (PSD), do atual governador Silval Barbosa (PMDB) e do próprio Éder Moraes (PMDB).
Aparecem também siglas que fariam alusão ao deputado federal Homero Pereira (também já falecido), dos ex-deputado estadual Gilmar Fabris e Dilceu Dal Bosco, e também dos parlamentares Guilherme Maluf (PMDB), Adalto 'Daltinho' de Freitas (SDD) e do prefeito Percival Muniz (PPS) - que a época era deputado estadual.
Ouvido pela reportagem, Percival lembrou que era oposição ao Governo do Estado e que manteve sua posição até o final da gestão, inclusive denunciando escândalos como o pagamento indevido de precatórios pelo Governo do Estado.
Muniz negou que tenha recebido valores ou oferecido vantagens às pessoas e empresas investigadas. Percival lamentou a forma como seu nome foi envolvido e disse que é preciso aguardar o desfecho das investigações.
"Acho que esta 'Operação Ararath' vai passar a política mato-grossense à limpo. Mas é preciso ter cautela e aguardar o fim para sabermos quem de fato é culpado e inocente nessa história toda", avaliou.
Muniz disse aina que a Prefeitura de Rondonópolis não mantém contratos com as empresas que supostamente teriam feito os pagamentos investigados pela polícia e pela Justiça Federal.
Blairo Maggi
O senador e ex-governador Blairo Maggi (PR) está em viagem à Europa; mas, através da assessoria, também negou as acusações.
Em declarações à imprensa nacional, os assessores informaram que Blairo prestará todos os esclarecimentos assim que retornar ao Brasil e anteciparam que o republicano nunca manteve relações com o empresário Mendonça Júnior, que fez um acordo de 'Delação Premiada' para revelar à Justiça como o esquema era operado.
Sobre o aval concedido num empréstimo tomado pela São Tadeu Energética, outra empresas que seria usada para fazer os pagamentos ilegais, a informação é que a transação foi legal e que Blairo tentou ajudar a empresa que na época enfrentava problemas devido a um acidente na construção de uma usina no Estado.