Indevida: Intervenção de vereadores pode gerar crise entre trabalhadores da Coder
23 de Junho de 2014, 06h45
Nem todos os vereadores vão disputar vagas de deputados este ano, mas parece que o 'clima eleitoral' contagiou a Câmara de Rondonópolis. Nas últimas semanas a Casa de Leis setornou um balcão de negociação de interesses de grupos organizados e, nem sempre, bem intencionados.
A coisa começou com a decisão de adiar a votação do PCCS da Educação. Muitos vereadores aceitaram como normal a imposição do Sispmur para que os planos de todas as categorias sejam votados conjuntamente. Os educadores, que se empenharam para finalizar o projeto, agora terão de aguardar e, mais uma, vez podem ser usados como 'munição' pelos marajás da Prefeitura - aqueles que ganham acima de R$ 13 mil por mês e não gostam muito de trabalhar.
Na semana passada o 'balcão' foi usado por um grupo de funcionários da Coder. Eles fizeram concurso para cumprir uma jornada de 44 horas semanais, mas se recusam a atuar durante o dia para continuarem trabalhando apenas 36 horas por semana.
No caso dos educadores ainda não há sinais de reação da categoria. Já na Coder, a intervenção indevida dos vereadores pode resultar numa crise grave. É que, caso o privilégio seja mantido para os cerca de 40 servidores que estiveram na Câmara, os mais de 400 trabalhadores que fazem a jornada completa poderão exigir o mesmo privilégio.
Está na hora de alguém dizer aos nossos vereadores que não é uma boa ideia continuar negociando privilégios com o bolso do contribuinte. Ao tratarem questões administrativas de forma política, eles correm o risco de desagradarem a maioria dos servidores que cumpre a lei e, pior ainda, de se revelarem ao grande público como patrocinadores de farras e padrinhos de marajás.
O tiro pode sair pela culatra...