Família social

por Por Onofre Ribeiro

23 de Agosto de 2013, 09h37

Família social
Família social

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato GrossoO ano de 2012 terminou com a paranoia sobre as profecias maias que foram interpretadas como indicando o fim do mundo. Na realidade, nunca haverá um fim do mundo. As interpretações lúcidas das profecias maias, assim como as do apocalipse da bíblia, muito usadas pelas religiões para criar medo, tratam esses dois documentos à luz de uma realidade visível: o mundo está apenas mudando.

            Essas mudanças vão além do clima, da tecnologia, dos processos de produção, de controle social pela internet e por outros mecanismos e satélites, até o simples viver em sociedade. Dentro disso tudo estão mudanças construídas ao longo dos séculos. O século 20 foi pródigo em transformações muito marcantes como as duas grandes guerras mundiais, os seus desdobramentos, a guerra fria e a partir dela um estrondoso desenvolvimento tecnológico. Desarmada no fim da década de 1980, a guerra fria, permitiu que as tecnologias de uso militar caíssem no uso civil e trouxessem para as nossas vidas os computadores pessoais, a internet e a globalização do mundo. Como saldo, o mundo perdeu suas fronteiras.

            O reflexo no cotidiano foi a mudança do viver entre pessoas dentro da mesma sociedade e até mesmo dentro da própria família. Valores novos começam a emergir com clareza. Entre eles uma nova forma de convívio mais pessoal, depois das ondas virtuais. Esse será um valor novo a ser construído daqui para a frente como saldo de tudo o que passou. A solidão atingiu níveis alarmantes mesmo vivendo pessoas dentro de um mesmo grupo. Daí á depressão, câncer, é um pulo!

            Num passado recente, há menos de 50 anos, os laços entre pessoas eram fortes e solidários, decorrentes de um convívio natural. A urbanização, somada com tudo o que foi dito acima, criou esse modelo de solidão. Os valores novos implicarão em reativar-se contatos de convívio há muito esquecidos. Os sintomas da sociedade atual, como a violência, drogas e doenças, retratam que é preciso re-humanizar a sociedade pela simples reativação dos laços pessoais via convívio afetivo. Pode ser que ainda leve um tempo, mas é o caminho para as ansiedades e estresses que hoje persegue tanta gente, principalmente os jovens, perdidos dentro das suas máquinas eletrônicas.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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