Bronca
Vereadores acusam secretário de Habitação de agir politicamente em sorteio de casas populares
Vários vereadores, inclusive da base de apoio, afirmaram que Ildo Rodrigues realizou o evento na hora da sessão para prejudicá-los
24 de Outubro de 2013, 06h40

O secretário municipal de Habitação, Ildo Rodrigues, foi duramente criticado na sessão de ontem (23) da Câmara Municipal. O secretário foi acusado de ter programado o sorteio das casas do Residencial Pedro Casaldáliga no mesmo horário da sessão para impedir a participação de vereadores e capitalizar o ato politicamente.
As críticas partiram principalmente de parlamentares que integram a base de apoio, liderados pelo petista e vice-presidente da Câmara, Mauro Campos. Eles afirmam que além do conflito no horário, os convites para o evento só foram entregues por volta das 11 horas da manhã de quarta-feira e alguns sequer foram convidados.
"Está muito clara uma antecipação da campanha de 2014. Se ele quer ser candidato a deputado ou apoiará alguém, tudo bem. Mas usar a secretaria para prejudicar vereadores não está certo. Isso é um desrespeito a todos desta Casa", reclamou Mauro Campos.
Rodrigo da Zaeli (PSDB) também considerou que o caso uma afronta ao Poder Legislativo. Ele disse que chegou a ver algumas notícias sobre o sorteio pela imprensa, mas considera que os vereadores mereciam um tratamento melhor. "A Câmara Municipal tem sido parceira do Poder Executivo. Votamos muitas matérias relevantes, inclusive a que criou a Secretaria de Habitação. Com todo apoio que demos não há como aceitar esse tratamento".
Defesa
A defesa do secretário coube principalmente a Davi Lemes (PSC), que é do mesmo partido de Ildo Rodrigues, mas veio também de aliados inesperados, como os vereadores Fulô (PMDB) e Hélio Pichioni (PR). Segundo eles, o secretário tem apresentado uma boa atuação e sempre tratou os vereadores com respeito.
"Acho que foi uma infelicidade de quem marcou o sorteio para o mesmo horário da sessão, mas não creio que isso tenha partido dele. O Ildo Rodrigues tem se destacado na Habitação e atende a todos, inclusive os vereadores, com muita dedicação", disse Fulô.
Pichioni também isentou o secretário de responsabilidade na organização do evento e minimizou o caso. "O sorteio não é tão importante, a entrega das casas sim", afirmou.
O líder do prefeito na Câmara, Aristóteles Cadidé (PDT), tentou amenizar a situação. Ele disse que havia conversado com o secretário e foi informado que a data e horário do sorteio foram definidos pela Caixa Econômica Federal (CEF) - que é a responsável pelo residencial.
A intervenção de Cadidé aliviou um pouco a tensão, mas não eliminou as suspeitas sobre o secretário. "A Caixa realmente define o horário, mas é muito flexível quanto a isso. Se quisesse, o secretário poderia ter marcado o sorteio em outro horário ou dia", declarou Rodrigo Lugli.