JBS
Nova planilha apreendida mostra repasse de R$ 300 mil a Fagundes
Total de 64 nomes, incluindo “Temer”, aparece em movimentações financeiras por meio de conta aberta para abastecer políticos
24 de Outubro de 2017, 07h57
A Revista Época, publicação ligada ao grupo Globo, revelou ontem, 23, a apreensão de uma planilha na sede da empresa JBS, em São Paulo. Nela, um total de 64 nomes aparece em movimentações financeiras detalhadas e a existência de uma conta bancária aberta exclusivamente para abastecer políticos e partidos. Entre os citados no documento estão "Temer" (alusão ao presidente da República) e W. Fagundes (em alusão ao senador da República Wellington Fagundes -PR).
O nome de Fagundes é acompanhado de "Neri", referência ao ex-ministro da Agricultura no governo Dilma, Neri Geller -PP, e aponta o recebimento de R$ 300 mil. A planilha foi encontrada pela Polícia Federal dentro de uma pasta no gabinete de Wesley Batista no dia 11 de maio. A apreensão foi feita no âmbito da Operação Maquinários, coordenada pela Superintendência Regional da Polícia Federal de Mato Grosso do Sul.
Segundo a planilha, o repasse a Fagundes, por meio de Neri, ocorreu em setembro de 2014. Além deles, foram apontados como beneficiários de propina da JBS o deputado federal Carlos Bezerra -PMDB e o ex-governador Silval Barbosa -PMDB.
Wellington Fagundes ainda não se manifestou sobre o detalhamento. Meses atrás, em agosto, o senador havia confirmado o recebimento de dinheiro da JBS, mas negou repasse ilegal. "(...) o senador Wellington Fagundes declara que trata-se de doações de campanha feitas pela JBS e entregues a direção nacional do Partido da Republica, conforme documento anexo, e que foram devidamente contabilizadas e registradas na Justiça Eleitoral de Mato Grosso, bem como aprovadas sem restrições", diz. "Lembra que todos esses dados se encontram disponibilizados no site da Justiça Eleitoral - que podem ser acessados de forma transparente por qualquer cidadão", completa.
Temer
Na indicação "Temer", supostamente uma referência ao presidente da República, aparece o valor de R$1 milhão em repasses no dia 2 de setembro. Parte dessas transações já haviam se tornado pública por meio de delações premiadas de executivos da própria JBS e confirmam o depoimento prestado pelo doleiro Ricardo Saud. A data, 2 de setembro, é a mesma em que o doleiro disse ter determinado o pagamento, desse mesmo R$ 1 milhão, ao então vice-presidente.
As planilhas revelam o entra e sai de dinheiro na conta bancária e trazem também detalhes como datas de pagamento, nome do recebedor, valores das transações e até o saldo no dia em que o dinheiro foi debitado. A planilha registra que Temer, por exemplo, teria recebido o recurso ilícito quando a conta estava recheada com R$ 1.176 milhão - sendo que, desse valor, R$ 405 mil entraram na conta da JBS naquele mesmo dia. Com a retirada de R$ 1 milhão, a conta ficou ainda com um saldo R$ 176 mil, sendo abastecida, três dias depois, com mais R$ 519 mil.
