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Jornalista alerta sobre a importância do diagnóstico precoce da otite crônica e agradece Paula Calil por projeto de lei em Cuiabá
"Que o ‘Outubro Caramelo’ seja mais do que uma campanha, mas um lembrete de que cuidar da saúde das nossas crianças é preservar a essência mais doce da vida”, pontuou a vereadora.
24 de Março de 2026, 14h33
Durante participação na Tribuna Livre da Câmara Municipal de Cuiabá, nesta terça-feira (24), a jornalista Oziane Rodrigues fez um alerta sobre os riscos da otite crônica em crianças e adolescentes e destacou a importância do diagnóstico precoce. Em um relato emocionado, ela compartilhou a experiência vivida com a filha, Luísa Rodrigues, de 10 anos.
“Nasceu da dor de descobrir que minha filha foi diagnosticada com otite crônica severa, com perda auditiva de 50% no ouvido esquerdo e 70% no direito”, afirmou.
Segundo ela, o momento mais difícil não foi apenas o diagnóstico, mas a gravidade da situação. “A dor maior não foi descobrir o diagnóstico, mas sim descobrir que, se não fosse submetida a uma cirurgia de urgência, ela poderia ter morrido por meningite bacteriana”, relatou.
Oziane também chamou atenção para a demora no acesso a exames na rede pública, o que pode comprometer o diagnóstico em tempo adequado. “Em Cuiabá, a média de espera para um exame necessário ao diagnóstico da otite crônica severa é de cerca de oito meses. Se eu dependesse dessa realidade, com toda certeza eu teria perdido a minha filha”, destacou.
A jornalista ainda reforçou que a doença, muitas vezes subestimada, pode evoluir rapidamente quando não tratada corretamente. “Uma em cada cinco crianças terá ao menos um episódio de otite. Quando não tratada da forma adequada, ela evolui: começa simples, passa para otite média e pode chegar à otite crônica severa, como foi o caso da minha filha”, explicou.
Ao final, Oziane agradeceu à vereadora Paula Calil pela criação do Projeto de Lei nº 39.177/2025, que institui, no âmbito do município de Cuiabá, a Política Municipal de Informação, Diagnóstico Precoce, Tratamento Integral e Prevenção da Otite Crônica em crianças e adolescentes.
“Hoje, através dessa lei, todas as mães cuiabanas passam a entender que podem participar da construção de políticas públicas. Essa lei vai garantir que a otite seja tratada desde o início e que, se necessário, a criança tenha todo o atendimento e reabilitação”, afirmou.
A proposta estabelece uma atuação mais organizada do poder público municipal, prevendo campanhas permanentes de informação para orientar pais, responsáveis e educadores sobre os sinais da doença e seus riscos. Também fortalece a atenção básica por meio da capacitação de profissionais de saúde para identificar precocemente os casos e encaminhar rapidamente para atendimento especializado.
O texto assegura ainda o tratamento integral pelo Sistema Único de Saúde (SUS) municipal, incluindo consultas com especialistas, realização de exames, cirurgias quando indicadas e acompanhamento fonoaudiológico, além de ações preventivas voltadas à saúde infantil, com o objetivo de reduzir a incidência e evitar a progressão da doença para quadros mais graves.
O projeto também inclui no calendário oficial do município o “Outubro Caramelo”, mês dedicado à conscientização e ao diagnóstico precoce da otite crônica.
Paula destacou que a iniciativa nasce da escuta de histórias reais e do compromisso com a saúde das crianças.
“Essa lei nasce para mudar essa realidade. Nasce para que nenhuma mãe precise passar pelo desespero de não ter um diagnóstico a tempo. Nasce para garantir que nossas crianças tenham não só tratamento, mas cuidado, acolhimento e a chance de crescer com saúde. Quando escolhemos o caramelo como símbolo dessa campanha, não foi por acaso. O caramelo nos remete à infância, às balinhas, à leveza e à doçura que toda criança deveria viver plenamente. Mas, infelizmente, muitas crianças estão vivendo dor em silêncio, com algo que poderia ser tratado no início. Que o ‘Outubro Caramelo’ seja mais do que uma campanha, mas um lembrete de que cuidar da saúde das nossas crianças é preservar a essência mais doce da vida”, pontuou a vereadora.
Tramitação -O projeto foi apreciado em plenário e aprovado em primeira votação. Agora, segue em tramitação na Casa de Leis e, caso avance nas próximas etapas, será encaminhado para sanção da Prefeitura de Cuiabá.