BEM-ESTAR FEMININO

Saúde ginecológica em foco: Conscientização cresce, mas diagnóstico ainda é desafio

Informar, prevenir e tratar precocemente são caminhos para reduzir impactos da endometriose e do HPV

por da Redação

24 de Março de 2026, 08h10

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Divulgação

O mês de março, marcado pelas ações do Mês da Mulher, também é um período importante para reforçar a conscientização sobre doenças que afetam diretamente a saúde feminina, como a endometriose, a infecção pelo HPV e o câncer do colo do útero. Para a ginecologista e obstetra Sandra Maria Georgetto, a informação e o acompanhamento médico regular são fundamentais para prevenir complicações e garantir qualidade de vida às mulheres.

Segundo a especialista, a endometriose atinge cerca de 200 milhões de mulheres no mundo. Embora sua origem ainda não seja totalmente conhecida, a doença está relacionada ao início da vida menstrual: quanto mais precoce a primeira menstruação, maior pode ser o risco de desenvolvimento. A médica explica que, apesar de o tema estar mais presente no dia a dia, ainda há dificuldade no diagnóstico preciso, já que nem toda cólica menstrual indica endometriose. “A cólica comum ocorre pela descamação do endométrio durante a menstruação, algo natural do organismo feminino. Já na endometriose, esse tecido se desenvolve fora do útero, podendo atingir ovários, trompas, intestino e bexiga”, esclarece.

De acordo com Sandra, os sintomas incluem cólicas intensas, náuseas, dor durante a relação sexual e, em alguns casos, dificuldade para engravidar. Quando a dor é incapacitante e não melhora com analgésicos comuns, é fundamental investigar. O diagnóstico definitivo pode ser feito por meio da videolaparoscopia, procedimento que permite visualizar a cavidade pélvica e identificar os focos da doença. A médica ressalta que há tratamentos eficazes, que vão desde o uso de medicamentos até intervenções cirúrgicas, especialmente quando o diagnóstico ocorre precocemente. Em estágios mais avançados, podem surgir aderências entre os órgãos da pelve, exigindo abordagens mais complexas para o controle dos sintomas.

Outro ponto de atenção destacado pela ginecologista é o HPV, vírus transmitido principalmente pelo contato sexual e que possui mais de 150 tipos. Alguns deles são de alto risco e estão diretamente relacionados ao desenvolvimento do câncer do colo do útero, além de tumores na orofaringe, ânus, vulva e vagina. A especialista alerta que, na maioria dos casos, a infecção não apresenta sintomas e só é identificada por meio de exames de rotina. “O exame Papanicolau é essencial para detectar alterações celulares iniciais e evitar a progressão para o câncer. Com acompanhamento regular, é possível tratar lesões ainda na fase inicial e alcançar a cura”, afirma.

A vacinação contra o HPV também é uma importante estratégia de prevenção. A recomendação é que meninos e meninas sejam imunizados entre 9 e 14 anos, faixa etária com melhor resposta imunológica, embora a vacina possa ser aplicada até os 45 anos. Além disso, a médica reforça que o uso de preservativos ajuda a reduzir o risco de transmissão, mas não o elimina completamente, já que o vírus pode estar presente em áreas não cobertas pela camisinha.

Em relação ao câncer do colo do útero, Sandra explica que a doença costuma ter evolução lenta e silenciosa, podendo levar anos até apresentar sinais mais evidentes. Entre os sintomas de alerta estão sangramentos fora do período menstrual, sangramento após relações sexuais e corrimento persistente. Quando a dor aparece, geralmente o tumor já está em estágio mais avançado, o que dificulta o tratamento e reduz as chances de cura.

Para a especialista, um dos maiores desafios ainda é fazer com que as mulheres priorizem o próprio cuidado. Muitas vezes, elas colocam a família, o trabalho e outras responsabilidades à frente da própria saúde. “A mulher precisa entender que estar bem é essencial para cuidar de tudo ao seu redor. Procurar o ginecologista regularmente, realizar exames preventivos e manter hábitos saudáveis são atitudes que podem salvar vidas”, destaca.

Neste mês dedicado às mulheres, reforçar a conscientização sobre essas doenças é um convite ao autocuidado e à prevenção. “O diagnóstico precoce, a vacinação e o acompanhamento médico contínuo continuam sendo as principais formas de reduzir complicações, melhorar a qualidade de vida e evitar mortes que podem ser prevenidas”, finaliza a doutora Sandra.