CASO RODRIGO CLARO

Juiz intima médico perito que assinou laudo da morte de aluno para depor

A audiência ficou marcada para o próximo dia 05 de agosto, na 11° Vara Criminal Especializada Justiça Militar, em Cuiabá.

por Cuiabá, MT - Daffiny Delgado

24 de Abril de 2019, 17h21

Juiz intima médico perito que assinou laudo da morte de aluno para depor
Juiz intima médico perito que assinou laudo da morte de aluno para depor

O juiz Marcos Faleiros da Silva, da 11° Vara Criminal Especializada Justiça Militar, intimou o médico perito Dionísio José Bochese Andreoni para depor na audiência sobre a morte do aluno do Corpo de Bombeiros, Rodrigo Patrício Lima Claro, de 21 anos.

Andreoni deverá prestar esclarecimentos sobre o laudo pericial, assinado por ele e pela perita Renata Machado Barbosa Lima de Miranda, onde atestam que Rodrigo morreu em 'decorrência de hemorragia cerebral de causa natural'. A audiência foi marcada para o dia 05 de agosto, no Fórum de Cuiabá, as 14h.

A ação tem como ré a tenente Izadora Ledur Souza Dechamps, que foi acusada pelo Ministério Público Estadual (MPE) de práticas de tortura, que resultaram na morte do jovem.

Conforme a denúncia, Rodrigo demonstrou dificuldades para desenvolver atividades como flutuação, nado livre e outros exercícios aquáticos.  Com isso, Ledur teria utilizado de métodos reprováveis de tortura e intimidação, como forma de punir o jovem, nas práticas de exercícios.

“Os métodos abusivos praticados pela instrutora consistiram tanto de natureza física, por meio de caldos com afogamento, como de natureza mental utilizando ameaças de desligamento do curso”, diz trecho de denúncia.

O laudo pericial faz parte do inquérito criminal investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), realizado pela delegada Juliana Chiquito Palhares, que questionou sobre a causada da morte.

O resultado das análises periciais, que foram concluídas no dia 14 de dezembro de 2016, deram conta que a morte foi causada por uma hemorragia cerebral por meio biodinâmico.

“Diante dos achados da necropsia, concluem os peritos que a morte de Rodrigo Patrício Claro se deu por hemorragia cerebral de causa natural”, diz a conclusão de documento.

Para a família de Rodrigo a tenente é culpada pela morte do jovem. Os métodos de tortura que teriam sido aplicados por Ledur durante o treino de mergulho no aluno, contribuiu para a morte precoce do bombeiro.

De acordo com depoimentos de alunos, Ledur teria perseguido Rodrigo, e o afundado por diversas vezes durante treinamento na lagoa, mesmo após o jovem ter reclamado de fortes dores de cabeça e pedido para sair da água.

A morte

Rodrigo morreu no dia 15 de novembro de 2016, após passar mal em uma aula prática, pelo 16º Curso de Formação de Soldado Bombeiro do Estado de Mato Grosso, realizada na Lagoa Trevisan, na Capital, na qual Ledur atuava como instrutora. Além dela, outros cinco militares dos bombeiros foram denunciados.

A tenente respondeu a um Inquérito Policial Militar (IPM), no qual foi concluído que ela foi negligente e não cumpriu fielmente a ementa da disciplina.

No inquérito, foi constatado que Ledur afundou o aluno e jogou água em seu rosto quando ele voltava à superfície, mas a conclusão foi que a militar foi inocente das acusações.