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Bolsonaro rebate acusações de Moro e diz que não aceita ser chamado de “mentiroso”
Presidente afirmou que ex-ministro sabia do desligamento de ex-diretor da Polícia Federal e que chegou a concordar caso fosse indicado ao STF
24 de Abril de 2020, 17h51
Na tarde desta sexta-feira (24), o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro (sem partido), fez um extenso pronunciamento rebatendo as acusações do ex-ministro da Justiça, juiz federal, Sérgio Moro.
Moro pediu demissão na manhã desta sexta, onde também em pronunciamento ao vivo comunicou a todos sobre a sua tomada de decisão de deixar o ministério, segundo ele por interferências do presidente Bolsonaro nas ações da Polícia Federal. A razão principal ocorre logo após o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, ser oficialmente desligado do cargo.
Contudo, o presidente em seu discurso crítico lamentou o episódio. Em seu primeiro momento de fala, Bolsonaro disse que admirava o então ex-titular da Justiça, porém recordou fatos onde Moro agiu por “desdenho” quando foi o cumprimentá-lo pela primeira vez e posteriormente já como ministro mostrou ter compromisso "consigo próprio e com seu ego".
Segundo Bolsonaro, o ex-ministro sabia da exoneração do ex-diretor da PF, no entanto, chegou a intimidá-lo no início da gestão, tendo em vista que somente concordaria com o desligamento, caso ele fosse indicado para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), no final deste ano.
“Fez acusações infundadas que eu lamento. Para muitos vai deslustrar a sua tão defendida biografia. Nós ministros temos algo mais importante que a sua biografia, que é o futuro dessa nação. Vamos levar muitos tiros na cara, no sentido figurado, mas vamos cumprir a missão”, disse.
“O senhor pode tirar o Valeixo em novembro, mas depois que o senhor me indicar para o Supremo Tribunal Federal [STF]. É desmoralizante para um presidente ouvir isso”, recordou Bolsonaro.
Além disto, o chefe do Alvorada acrescentou que Moro estava mais interessado em investigar o homicídio cometido contra a vereadora Marielle Franco – que lutava contra milícias –, em São Paulo, do que a sua tentativa de assassinato ocorrida durante a campanha presidencial em outubro de 2018. Contudo, afirma que quase precisou “implorar” ao então ministro para que as investigações tivessem andamento.
“Os dois militares teriam ido falar comigo, teria parecido que o meu filho 04 teria namorado a filha desse ex-sargento. Eu chamei o meu filho e perguntei e ele me disse ‘pai, posso ter ficado com o condomínio inteiro, mas aí eu não me lembro se fiquei com essa moça”, recorda.
Conquanto, o presidente esclareceu que “nunca” pediu para que sua família fosse “blindada” pela Polícia Federal e a Inteligência, de fatos que endossaram uma possível participação no assassinato da vereadora, tanto que chegou a interrogar o próprio filho, ao qual ele chama de “zero quatro”, que teria tido supostamente um relacionamento amoroso com a filha de um militar do caso.
““Nunca pedi para blindar ninguém da minha família. Jamais faria isso. Agora lamento que a pessoa que mais tinha que defender dentro da legalidade não faz. Tive um clima sim pesado com o ministro, onde cobrei dele que ele tomasse uma decisão sobre o uso de algemas contra mulheres na praia. A resposta dele foi silêncio”, pontuou.
Entretanto, Bolsonaro alega que não houve tal envolvimento. Entre as demais pontuações rebatidas, o presidente criticou a postura de Sérgio Moro e disse estar decepcionado e que não aceita ser chamado de “mentiroso” pelo ex-ministro.
“Hoje vocês vão conhecer quem realmente não me quer na cadeira presidencial. Esse alguém não está no Poder Judiciário e nem no Parlamento”, em referência ao que disse a deputados durante café da manhã de hoje.
“Fica difícil conviver com uma pessoa que pensa bastante diferente de você. O tempo todo você [Moro] me deu carta branca e porteira fechada. Torci muito para dar certo”, complementou o presidente.
Trechos da carta
Estou decepcionado e surpreso com o seu pronunciamento. Mas, meu compromisso é com a verdade, sem distorções, não são verdadeiras as distorções sobre eu querer saber sobre investigações.
A Lei 13047/2014 diz que é prerrogativa do presidente a nomeação e exoneração geral, bem como todos os cargos da administração direta. Eu conversei com ele [ex-diretor da PF] por telefone e ele concordou. Me desculpe senhor ministro, mas o senhor não vai me chamar de mentiroso.
A PF é uma instituição de estado, que deve ser conduzida pela constituição federal e não abro mão disso.
Não posso aceitar minha autoridade confrontada por qualquer ministro, assim como respeito a todos, espero o mesmo comportamento, confiança é uma via de mão dupla. O governo não pode perder sua autoridade por questões pessoais. Travo o bom combate e a minha preocupação é entregar o Brasil bem melhor do que recebi no ano passado. O Brasil é maior que qualquer um de nós, esse é o nosso compromisso, o de servir a pátria.
Veja o pronunciamento