CONSÓRCIO

Fundação Gates investe na eliminação da malária no Brasil

O dinheiro chega ao mesmo tempo em que cresce o número de pessoas infectadas na América Latina, depois de uma década de diminuição de casos

por Redação com Agência Brasil

24 de Junho de 2018, 07h00

Fundação Gates investe na eliminação da malária no Brasil
Fundação Gates investe na eliminação da malária no Brasil

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Ministério da Saúde fazem parte de um consórcio que acaba de receber R$ 2,2 milhões para o combate à malária. A doação foi feita pela da Fundação Bill & Melinda Gates, no início desta semana.

O dinheiro chega ao mesmo tempo em que cresce o número de pessoas infectadas na América Latina, depois de uma década de diminuição de casos, de acordo com a Fiocruz. Uma das preocupações é o Brasil, onde o número de doentes cresceu 50% no primeiro semestre de 2018, em comparação com 2017, revela o pesquisador da fundação, Marcus Lacerda. Ele coordena o consórcio com as 30 entidades nacionais e estrangeiras que receberam a doação da Fundação Gates, o Instituto Elimina.

Na América Latina, outra preocupação é a Venezuela, país que enfrenta crise econômica com reflexos na saúde e no aumento de infectados.

Os recursos internacionais vão especificamente para o projeto que prepara a população brasileira para receber, nos próximos dois anos, um novo medicamento para malária causada por P.vivax - tipo prevalente em 90% dos casos no país. É que uma parcela da de pessoas, com déficit de uma enzima específica, pode desenvolver complicações com o novo remédio e mesmo com os atuais e correm risco de morte.

Por isso, o objetivo é avaliar a viabilidade de um teste rápido de sangue para identificar quem tem deficiência e propor tratamento individualizado.

"Nessa primeira parte do projeto, vamos a campo fazer um diagnóstico dessa intolerância à medicação antimalária e observar como as pessoas lidam com esse novo diagnóstico", explicou Lacerda, pesquisador chefe do Instituto Elimina.

Serão observados, além da reação dos pacientes ao teste, os custos e a efetividade do novo método na Amazônia, uma região particular por suas dimensões e especificidades.

"As pessoas têm um teste novo para ser feito. Tem que furar o dedo. Elas têm maior dificuldade agora para usar o remédio [de malária]. Precisamos saber se vão aceitar, se acham que é uma boa, se o teste não retardará o tratamento, se quem faz o diagnóstico acha que é fácil ou difícil fazer o teste", detalhou Lacerda.

Hoje, o Brasil não faz o diagnóstico enzimático e a população corre riscos. "O que a gente quer fazer é usar a medicação para malária de uma forma mais segura", disse o pesquisador. Existem remédios alternativos para pessoas com a deficiência.

Em visita à Fiocruz no Rio de Janeiro, na última terça-feira (19), Sue Desmond-Hellmann, CEO da Fundação Gates, disse, que é preciso "encurtar substancialmente o tempo necessário para disponibilizar novos tratamentos e testes para a malária". Ela lembrou, em nota, que a doença é incapacitante e impede a pessoa de trabalhar e estudar, por causa, principalmente, das recaídas, sintomas típico da doença.

A organização internacional já investiu U$ 35 milhões na cura da malária causada pelo plasmódio P.vivax na América Latina. O investimento é importante para introdução do novo remédio, a tafenoquina, no sistema de saúde em pelo menos dois anos. O mais recente medicamento lançado nos últimos 60 anos, permite o tratamento da malária em dose única. Os atuais precisam ser tomados entre sete e 14 dias.

Também integram o Instituto Elimina pesquisadores do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério da Saúde.