Anderson Iglesias

MAIS DINHEIRO MAIS PARTIDOS

por Anderson Iglesias

24 de Julho de 2019, 15h42

MAIS DINHEIRO MAIS PARTIDOS
MAIS DINHEIRO MAIS PARTIDOS

Em tempos de vacas magras os políticos querem comer carne nobre ! Esta é a conclusão sobre a notícia de que o fundo eleitoral poderá mais do que dobrar ano que vem e receber até R$3,7 bilhões para financiar campanhas de candidatos a prefeito e a vereador em todo o país.

O acréscimo de R$2 bilhões de reais foi apresentado pelo relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2020, que estabelece diretrizes para o Orçamento da União, o deputado Cacá Leão (PP-BA). Segundo o relator a justificativa do aumento se dá pelo fato das eleições municipais terem um número maior de candidatos e, por isso, é necessário mais recursos.

Em um momento em que precisamos fazer várias reformas para diminuir os gastos públicos é inadmissível que este aditivo seja incluído na LDO pelo Congresso Nacional. Será que o cidadão brasileiro, pagador de impostos, concorda que seu dinheiro seja destinado à campanha política?

Hoje a população contribui em parte para o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido com fundo eleitoral, após o Supremo Tribunal Federal (STF) proibir, dois anos antes, doações de empresas para campanhas eleitorais. Composto de recursos do Orçamento Geral da União, o fundo destina valores para partidos políticos, que repassam a seus candidatos. Ou seja, desde as eleições do ano passado é proibido o financiamento de empresas nas campanhas - somente pessoas físicas podem fazer doações.

E a pergunta que devemos nos fazer é a seguinte: é correto obrigar o cidadão a contribuir para uma campanha que ele não concorda? A resposta do partido NOVO é não. Diferente das outras siglas, o NOVO é o único que não usa recurso público para se manter. Ele respeita o pagador de impostos e não utiliza dinheiro público. Além disso, defende que o cidadão tenha a liberdade para contribuir ou não para o partido que ele se identifica.

A verdade é que vivemos uma crise fiscal, de recursos e certamente esta não é a prioridade da população, e sim do próprio sistema político. O cidadão brasileiro precisa ser informado sobre a utilização deste recurso. A prioridade na destinação de verbas públicas deve ser saúde, segurança ou educação. E para que isso aconteça precisamos dar um BASTA na utilização de dinheiro público para partidos.

Nosso sistema político precisa amadurecer. E os partidos, necessariamente, precisam existir em razão das pessoas que acreditam e contribuírem financeiramente para a sua existência. 

Anderson Iglesias é analista de sistemas, servidor público e presidente estadual do Partido NOVO em Mato Grosso.