CENTRO DE TRIAGEM
Governo de MT omite número de senhas e população deixa de ser atendida
Usuária do sistema de saúde público relatou ter visto pessoas passando mal na fila de espera, às 7h40 da manhã, e que não conseguiram senhas das 600 que supostamente seriam distribuídas
24 de Julho de 2020, 08h41
O Centro de Triagem inaugurado nesta quinta-feira (23), na Arena Pantanal, em Cuiabá, anunciou que teria capacidade de 600 pessoas para atendimentos por dia. Entretanto, conformou apurou esta coluna ‘in loco’, antes das 14h da tarde, já não havia mais senhas e os portões estavam fechados, sendo controlada a entrada de qualquer pessoa no local, somente com autorização do Corpo de Bombeiros.
A população que procurava por atendimento naquela ocasião, estava sendo orientada a procurar a policlínica do bairro Verdão mais próxima dali.
A coluna também se dirigiu a unidade de saúde e constatou um grande volume de pacientes a espera de passar pelo médico para ser atendido. Atendentes inclusive chegaram a avisar da demora para o procedimento devido à alta demanda.
Mais assustador ainda foi verificar a quantidade de pessoas aglomeradas no interior da policlínica. Haviam poucos assentos de proibição para sentar, na maioria das vezes as pessoas optavam por não respeitar o distanciamento social de um metro e meio, tendo em vista que acabavam ficando cansadas de tanto ficar em pé.
Uma usuária do sistema de saúde público, identificada como Ana Gomes, que esteve em ambos os locais procurando por atendimento relatou a seguinte situação: “eu cheguei lá 7 horas. Na verdade, antes de vir eu me certifiquei; ouvi o áudio que o tal do coronel postou dizendo que o atendimento iria começar 6 horas e que iriam ser distribuídas 600 fichas. Das 6 às 7 as 100 fichas para ser atendidos até 11h. Aí eu cheguei 7h40 os bombeiros já haviam fechado o portão dizendo que não poderia entrar mais ninguém que tinha acabado as fichas. Agora você imagina 600 pessoas, você acha que já havia acabado as fichas?!”.
Ela relatou à coluna que suspeitava de ter contraído a Covid-19, por conta de fortes dores no tórax que vinha sentindo nos últimos dias.
Ana disse que haviam várias pessoas passando mal e que não tiveram a oportunidade de pegas as senhas. Algumas teriam ido até a policlínica, mas até o fechamento desta, ainda aguardavam pelo médico.
“Então você percebe que a coisa não é como eles estão falando realmente, é uma estrutura falsa entendeu, está fazendo as pessoas de idiota. Não explica direito o acesso, você tem que fazer todo aquele contorno para entrar num único portão. Eu acho que se é prioridade, tem que priorizar a todos”, disse.
Ouça o áudio na íntegra: