CULTURA

“Poesia é Substantivo Feminino” leva histórias de mulheres do interior ao Festival Luiz Carlos Ribeiro

Festival Luiz Carlos Ribeiro Com casa cheia, espetáculo rondonopolitano foi apresentado pela primeira vez na capital mato-grossense

por Da redação

24 de Agosto de 2026, 15h54

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Divulgação

O teatro rondonopolitano marcou presença em Cuiabá durante o Festival de Teatro Luiz Carlos Ribeiro. Pela segunda vez, o Coletivo Gestação participou do festival representando Rondonópolis, desta vez em parceria com o Patologia Cênica, com o espetáculo “Poesia é Substantivo Feminino”.

Com dramaturgia de Camila Zenzele Pinho, o espetáculo aborda o distanciamento de Sônia, uma jovem que mergulha em livros e poesias, enquanto convive com a mãe, Olga, e a irmã, Maria Rita, que não compreendem as palavras difíceis e as proezas inventadas pela caçula. A dramaturgia parte das experiências de mulheres que tiveram o acesso à educação interrompido ou adiado, trazendo para a cena questões relacionadas à leitura, à escrita, à autonomia e ao direito à palavra.


Em cena, Nathânia Carbonato, Larissa Foá e Camila Zenzele Pinho dão vida às personagens Olga, Sônia e Maria Rita. A direção é de Ricardo Almeida, que também assina a iluminação e a cenografia. Os adereços em crochê, de Beatriz Dourado, integram a construção visual do espetáculo, aproximando a cena de saberes manuais e elementos do cotidiano das mulheres retratadas. A tradição dos Caretas também entra em cena, trazendo referências das manifestações e dos festejos populares do interior mato-grossense.

A obra apresenta uma família de mulheres e suas diferentes formas de se relacionar com as palavras. A poesia aparece não apenas na palavra escrita, mas também nas mãos que costuram, nos corpos que trabalham, nas histórias contadas e nas experiências cotidianas. Para Thereza Helena, “ler muda a vida, não importa quando se aprende a ler. Para as mulheres, essa descoberta ganha ainda outras camadas. E o espetáculo faz dessa verdade uma coisa linda de se ver”. A espectadora Elni Willms também destaca a força poética da montagem: “um texto tão profundo, poético, sobre mulheres e mudanças, onde tudo ocorre por causa da escola, pela leitura, escrita, corpo e texto!”.

Com humor e leveza, a montagem transforma situações do dia a dia em matéria teatral. A música atravessa a cena e contribui para construir uma narrativa afetiva e sensível, aproximando referências da cultura popular, da memória e das experiências vividas pelas personagens.

Apresentado pela primeira vez na capital mato-grossense, o espetáculo foi recebido com casa cheia durante o Festival Luiz Carlos Ribeiro. A montagem se afirma como um manifesto poético em defesa do direito à educação e à palavra, reivindicando que as pequenas palavras possam ocupar todos os espaços, sem proibição.

Ficha técnica

Atuação: Larissa Foá, Nathânia Carbonato e Camila Zenzele Pinho

Texto e dramaturgia: Camila Zenzele Pinho

Direção: Ricardo Almeida

Iluminação: Ricardo Almeida

Cenografia: Ricardo Almeida

Adereços cênicos: Beatriz Dourado e grupo Os Caretas

Realização: Coletivo Gestação e Patologia Cênica