NA FRENTE DA VALLEY

Delegado indicia estudante atropelada e bióloga por morte de jovens

Dança de Hya Girotto teria contribuído para acidente que matou dois jovens em Cuiabá, ano passado.

por Cuiabá, MT - Daffiny Delgado

24 de Setembro de 2019, 07h00

Delegado indicia estudante atropelada e bióloga por morte de jovens
Delegado indicia estudante atropelada e bióloga por morte de jovens

O titular da Delegacia Especializada em Delitos de Trânsito (Deletran), Christian Cabral, indiciou nesta segunda-feira (23) a bióloga Rafaela Screnci da Costa Ribeiro por homicídio doloso e lesão corporal e a estudante Hya Girotto por homicídio culposo, no caso do atropelamento em frente à Boate Valley Pub, em Cuiabá.

O acidente aconteceu na madrugada do dia 23 de dezembro na Avenida Isaac Póvoas, no momento em que os jovens saiam da casa noturna.

Visivelmente embriagada, a bióloga conduzia o veículo que atropelou e matou a estudante Myllena de Lacerda Inocêncio, de 22 anos, e o cantor sertanejo Ramon Alcides Viveiros, 25, além de ter ferido Hya.

Rafaela foi denunciada duas vezes por homicídio doloso e pela lesão corporal causada em Hya.

De acordo com o delegado, a perícia e os depoimentos apontaram que Hya contribuiu para a morte de Myllena e Ramon ao parar no meio da avenida para dançar.

"Myllena de Lacerda Inocêncio e Ramon Alcides Viveiros teriam interrompido o processo de travessia, girando seus corpos para a direita, ficando de costas para o fluxo da via, para visualizarem o comportamento de Hya Girotto Santos. Situações que revelam que o comportamento imprudente de Hya também teria contribuído para ocorrência do evento lesivo, quer por retardar a conclusão da travessia das vítimas, quer por dispersar a atenção das mesmas, fazendo-as ficarem em situação de perigo sem quaisquer chances de reação”, consta no documento.

Por isso, a estudante também acabou sendo indiciada duas vezes por homicídio culposo (quando não há intenção de matar).

Relembre o caso

As investigações apontaram que Rafaela dirigia uma caminhonete no sentido bairro / centro quando atropelou as três vítimas. Ela ainda bateu em um Gol que estava estacionado na avenida.

Quando a equipe da Deletran chegou, a condutora já estava detida na viatura da Polícia Militar. A equipe solicitou o teste de etilômetro à condutora, que apresentava sinais visíveis de embriaguez, porém, ela recusou-se a fazer o teste.

Diante disso, os investigadores elaboraram um “auto de constatação de embriaguez”, que aponta que os sinais da ingestão de álcool eram aparentes.

Na ocasião, ela chegou a ser presa em flagrante, mas foi solta após pagar fiança de R$ 9,5 mil à Justiça no dia seguinte ao atropelamento.

O último laudo pericial, divulgado em junho deste ano, análise de conteúdo dos vídeos que registraram o atropelamento onde apontou que o veículo conduzido pela professora era de 57 km/h - velocidade superior a máxima permitida, mas inferior a 60 km/hora - no momento do acidente.