LAVA JATO

Brecha de Janot, coragem de Cármen Lúcia e medo dos delatados

por GazetaMT

25 de Janeiro de 2017, 11h02

Brecha de Janot, coragem de Cármen Lúcia e medo dos delatados
Brecha de Janot, coragem de Cármen Lúcia e medo dos delatados

Na última semana assistimos a tragédia que tirou a vida do ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki. A queda do avião no mar de Paraty (RJ) levou consigo o sentimento de pesar não só pelo aspecto humano como também político. Ficamos incertos sobre os rumos da Operação Lava, da qual era a vítima o relator. Por um momento, deram-se como vencidos os delatados.

Buxixo havia comentado este episódio. Eis que nesta semana o procurador geral da República Rodrigo Janot lançou uma luz no túnel, abrindo brecha para que a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, nomeie o novo condutor dos trabalhos da Operação Lava Jato, apressando a homologação das delações que envolvem 300 políticos, além de 77 executivos e ex-executivos das empresas Odebrecht e Camargo Correia.

A medida adotada por Janot tem impacto profundo. Para os que pensavam -inclusive nós- que a Lava Jato pararia, o recado foi dado. Já no início da semana, após o luto oficial, a própria ministra presidente do STF havia autorizado os auxiliares de Zavascki dar seguimento aos trabalhos. Desta vez é chegada a hora de mais um "pulo do gato".

Parte da classe política, é sabido, já articulava pressão para que a indicação do novo relator partisse diretamente do presidente Michel Temer. O motivo é óbvio e o Brasil já viu este filme, ainda em 2009, quando do então presidente do STF, Gilmar Mendes. Tempos difíceis, por assim dizer.

Temer ensaia influencia na escolha do novo ministro. Se o fizer, a indicação passará pelo Senado. Dentre eles, 12 investigados na Operação Lava Jato: Aécio Neves (PSDB-MG), Benedito de Lira (PP-AL), Ciro Nogueira (PP-PI), Edison Lobão (PMDB-MA), Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), Fernando Collor (PTC-AL), Gladson Cameli (PP-AC) e Valdir Raupp (PMDB-RO). Por bem, Cármen Lúcia deverá intervir. São novos tempos, novas forças protagonistas.

Aliás, a presidente é uma mulher, com coragem e sem conluio, disposta a contrariar grupos certamente insatisfeitos e, ainda assim, encarar o preço. Outro filme vem à cabeça...