OPERAÇÃO LAVA JATO

Janot pede ao STF arquivamento de inquérito contra Lindbergh

PF também já havia recomendado arquivamento de processo

por GazetaMT

25 de Janeiro de 2017, 16h38

Janot pede ao STF arquivamento de inquérito contra Lindbergh
Janot pede ao STF arquivamento de inquérito contra Lindbergh

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal o arquivamento de inquérito aberto contra o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) no âmbito da Operação Lava Jato. Para Janot, não há elementos suficientes para o prosseguimento da investigação.

O inquérito foi aberto em março de 2015 para apurar fatos narrados na delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Segundo o delator, Lindbergh, em 2010, então candidato ao Senado, solicitou R$ 2 milhões da cota do PP relativa ao esquema de corrupção na Petrobras. Lindberg era alvo de investigação por corrupção passiva qualificada e lavagem de dinheiro.

"Na esteira do quanto bem delineado pela autoridade policial no relatório final, forçoso reconhecer que se impõe o arquivamento do presente inquérito, dada a ausência, por ora, no que diz respeito aos fatos aqui versados, de elementos suficientes para a deflagração de ação penal em face do senador Lindbergh Farias, bem como de vetores persecutórios que justifiquem, neste momento, a continuidade das investigações", afirmou Janot.

Em novembro do ano passado, a Polícia Federal também recomendou o arquivamento do inquérito.

A decisão sobre o arquivamento ou não do inquérito, contudo, cabe relator do processo, que era o ministro Teori Zavascki (Teori morreu na semana passada, após acidente aéreo em Paraty). Com isso, o STF deverá aguardar a definição sobre a relatoria do processo.

Entendimento do Supremo

Pelo entendimento consolidado do STF, o procurador é o titular da ação penal em relação a pessoas com foro privilegiado e cabe a ele decidir o que investigar.

Geralmente, quando a Procuradoria pede arquivamento ou investigação, o STF autoriza e somente monitora se a condução do caso está conforme a lei.

De acordo o procurador Rodrigo Janot, "não se vislumbra outras medidas que possam ser adotadas, neste momento, para o integral esclarecimento das hipóteses levantadas".

"Os resultados das diligências realizadas, conquanto não infirmem as mencionadas declarações, não foram capazes de reforçá-las, persistindo até mesmo dúvidas em relação a circunstâncias essenciais dos fatos aqui versados, tais como o local da primeira reunião entre o investigado e o ex-diretor da petrolífera e a suposta pessoa que teria repassado os dois milhões de reais", afirma Janot.