PRESÍDIO

Mutirão carcerário encaminha liberdade de presos da Mata Grande

Medida visa desafogar acúmulo de processos e prisões por crimes leves

por Robson Morais

25 de Janeiro de 2017, 09h06

Mutirão carcerário encaminha liberdade de presos da Mata Grande
Mutirão carcerário encaminha liberdade de presos da Mata Grande

A Defensoria Pública, Ministério Público e Subseção Rondonópolis da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), analisaram, entre os dias 16 e 17 de janeiro, a situação de 386 detentos. Foto: Reprodução

A Defensoria Pública, Ministério Público e Subseção Rondonópolis da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), analisaram, entre os dias 16 e 17 de janeiro, a situação de 386 detentos do chamado regime de Prisão Provisória (preventiva e cautelar) no presídio da Mata Grande. Destinada a presos considerados de baixa periculosidade  crimes leves, a medida visa desafogar o acúmulo de processos nas mesas de juízes, dando celeridade na conclusão de casos possíveis de revogação.

Após análise dos casos, foram encaminhados pedidos de revogação. A estimativa dos órgãos é que já no início de fevereiro parte seja concluída. "Hoje o Brasil é o maior país do mundo em número de presos na chamada prisão provisória, uma das razões para a superlotação. São entraves burocráticos, processos acumulados que muitas vezes se arrastam sem necessidade", explica Olavo Luvian, advogado criminal participante do mutirão."Hoje o Brasil é o maior país do mundo em número de presos na chamada prisão provisória", explica o advogado Olavo Luvian. Foto: Luan Dourado/GazetaMT

Esta foi a primeira tentativa de ação em bloco por parte das entidades. Dos casos analisados, a meta é que ao menos 10% possam ser solucionados. Novos pedidos de revogação deverão ser encaminhados até o final de janeiro.

Casos

Entre os casos pendentes, Luvian recorda: "Acompanhei, por exemplo, a situação de um preso cuja liberdade já havia saído, mas continuava preso. Ele não tinha condições de quitar o valor da fiança, estipulado em dois salários mínimos, e há dois meses era mantido na cela da Mata Grande porque não tinha dinheiro".

Ainda em 2017, cerca de 40% dos presos nos presídios brasileiros se enquadram no regime provisório, aguardando o desenrolar judicial.

Crise nos presídios

Desde meados de janeiro, o Brasil assiste a conflitos no Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte. A guerra entre facções criminosas acendeu o alerta em presídios nos demais Estados. Em Rondonópolis, a Mata Grande abriga detentos de todo o Estado, parte deles membros de grupos organizados.

Embora a situação, segundo informado em recente entrevista pela direção do presídio, seja a de controle, existe na Mata Grande a necessidade de desafogo à superlotação. Construído para pouco mais de 800 presos, hoje eles são pouco mais de 1 mil.

O mutirões carcerários existem no Brasil desde 2008, por ordem do então presidente do Conselho Nacional de Justiça, ministro Gilmar Mendes.