OPINIÃO

O colaborador sem alma: a importância do cuidado com profissional do varejo

por Giselle Flausino

25 de Outubro de 2023, 11h56

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Com o objetivo de melhorar desempenhos, alcançar metas e consolidar boas equipes, o cuidado com o colaborador do varejo é um tema que deve ser cada vez mais colocado em evidência. Hoje, muitas empresas tratam seus funcionários como meros números, como se fossem robôs que não têm sentimentos, família ou necessidades individuais. Essa abordagem está longe de ser a ideal e tem sérias implicações tanto para os profissionais quanto para as empresas.

É indiscutível que, para atingir metas e manter um alto desempenho, as empresas varejistas dependem do comprometimento e da motivação de seus colaboradores. No entanto, quando as organizações não demonstram interesse genuíno pelo bem-estar de seus funcionários, criam um ambiente tóxico que pode levar a consequências desastrosas.

Muitas vezes, vemos colaboradores sobrecarregados, realizando tarefas além do acordado e enfrentando um ambiente de trabalho competitivo, onde são colocados uns contra os outros. Isso não apenas prejudica a saúde mental dos profissionais, mas também afeta negativamente seu desempenho e produtividade. A ansiedade se torna uma companheira constante e a sensação de que estão sendo explorados mina a confiança e a lealdade.

Entretanto, quando as empresas adotam uma abordagem mais cuidadosa e compassiva em relação aos colaboradores, os resultados são notáveis. O primeiro passo é entender que cada indivíduo é único, com motivações e necessidades diferentes. Alguns podem se motivar financeiramente, enquanto outros valorizam mais o tempo livre, a possibilidade de folgas ou até mesmo experiências de lazer, como uma sessão de cinema.

Cabe aos departamentos de Recursos Humanos e aos líderes de equipe identificarem essas motivações individuais e adaptar suas estratégias de gestão de pessoas de acordo com isso. Quando um colaborador se sente compreendido e cuidado, ele se torna parte da equipe, um membro engajado que deseja contribuir para o sucesso da empresa. Esse sentimento de pertencimento é fundamental para estimular a criatividade e a inovação, pois os colaboradores se sentem à vontade para compartilhar ideias e sugerir melhorias.

É fundamental que as empresas vejam seus colaboradores como clientes internos, pois são eles que atendem aos clientes externos. Um colaborador desmotivado e sobrecarregado não conseguirá prestar um serviço de qualidade, prejudicando a imagem da empresa. Quando as organizações demonstram um compromisso real com o bem-estar emocional de seus funcionários, estabelecem uma relação de “ganha-ganha”, no qual todos prosperam juntos.

Um exemplo clássico disso é a prática comum no varejo de impor jornadas de trabalho extenuantes para bater metas de vendas. Os funcionários frequentemente trabalham horas extras não remuneradas e sacrificam sua saúde física e mental em busca de uma comissão esperada. Essa prática precisa ser revista e corrigida o quanto antes, pois é insustentável e prejudicial para todos os envolvidos. Já há notícias de falta de mão de obra em diversos setores do varejo, especialmente aqueles que operam por turnos, como os supermercados, e a tendência é a de alta rotatividade de funcionários, especialmente pelas condições adversas de trabalho.

Em um mundo pós-pandemia, onde a qualidade de vida se tornou uma prioridade, as empresas precisam se adaptar. Horários de trabalho mais flexíveis, um ambiente de trabalho mais saudável e uma abordagem mais leve nas cobranças são fundamentais para atrair e reter talentos. Reconhecer o esforço dos colaboradores, seja por meio de palavras de agradecimento ou recompensas tangíveis, é essencial para mantê-los motivados e comprometidos.

Cuidar dos colaboradores não é apenas uma questão de responsabilidade social, mas também uma estratégia de negócios inteligente. Funcionários felizes e engajados são mais produtivos, criativos e leais. Além disso, promover um ambiente de trabalho saudável contribui para a saúde mental dos colaboradores, reduzindo as faltas e os problemas de saúde relacionados ao estresse.

Em resumo, é hora de as varejistas repensarem sua abordagem em relação aos profissionais. Eles não são apenas números, mas seres humanos com necessidades, desejos e emoções. Quando as empresas demonstram cuidado genuíno, todos saem ganhando. É uma mudança que pode transformar não apenas a cultura corporativa, mas também os resultados financeiros e a satisfação de todos os envolvidos. Portanto, vamos tratar os colaboradores com respeito, empatia e reconhecimento, pois isso é fundamental para o sucesso de qualquer organização.

*Giselle Flausino, 39 anos, é empresária, realiza consultorias e está no mundo dos negócios há 20 anos.